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Medidas de biossegurança para prevenir a transmissão indirecta do DESV

Este artigo ajuda-nos a estabelecer as medidas mínimas de biossegurança que deveríamos implementar a nível interno.

6ª feira 8 Setembro 2017 (há 14 dias)

Artigo

Y Kim, M Yang, S M Goyal, M C-J Cheeran and M Torremorell. Evaluation of biosecurity measures to prevent indirect transmission of porcine epidemic diarrhea virus. BMC Veterinary Research. 2017, 13:89, DOI 10.1186/s12917-017-1017-4

Que se estuda?

O vírus da Diarreia Epidémica Suína (DESv) causa uma doença entérica devastadora que se propaga por via directa (fecal-oral com outros porcos) e indirecta (fómites contaminados, camiões, rações e matérias-primas da ração). Muitas explorações e sistemas pedem orientação sobre o valor das medidas de biossegurança. Os investigadores estudaram diferentes protocolos de biossegurança para controlar a propagação do DESv, que incluíam o movimento do pessoal entre as diferentes zonas, sanidade e higiene pessoal e mudança de roupa.

Como se estuda?

Foram levadas a cabo dois ensaios em separado. Infectaram-se porcos com DESv e mediante rtPCR detectou-se que excretavam vírus entre os dias 1 e 19 pós-inoculação. Foram incluidos controlos negativos para descartar outras rotas de transmissão. Sob condições de laboratório alocaram-se grupos de porcos com 3 semanas de idade a um grupo com um protocolo de biossegurança baixa, média ou alta. No grupo de biossegurança baixa os operários deslocavam-se directamente desde os parques contaminados por corredores sujos e não mudavam de roupa nem se lavavam; os de biossegurança média lavavam as mãos e a cara e mudavam de ropa e calçado, os de biossegurança alta incluíam duche e mudança completa de roupa. O pessoal passou 45 minutos em contacto com os porcos infectados que estavam a excretar DESv nas fezes, antes de passarem para onde estavam alojados os porcos sentinela não expostos. A movimentação eram da sala infectada para as salas com os diferentes níveis de biossegurança. A transmissão era medida indirectamente mediante utilização de zaragatoas rectais e de fómites.

Quais são os resultados?

No estudo realizaram-se as seguintes observações:

  1. Todos os porcos infectados experimentalmente começaram a excretar RNA do DESv desde o dia 1 pós-inoculação. Detectaram-se zaragatoas rectais positivas durante 12 dias.
  2. No grupo de biossegurança baixa detectou-se DESv em porcos 3 dias pós-infecção.
  3. As zaragatoas do equipamento de protecção pessoal deram rtPCR positivos durante 3 dias após o contacto com porcos infectados.
  4. Não se detectou DESv nos porcos sentinela nos grupos de biossegurança média e alta após 12 dpi, pese a existência de 2 zaragatoas de fómites positivas no grupo de biossegurança média, recolhidos antes da entrada nos parques.

Que conclusões se retiram deste trabalho?

Este estudo reforça a importância da biossegurança no controlo e na prevenção da entrada de DES na exploração. Confirma a rápida disseminação indirecta de DESv (24 horas). Também mostra que o uso de roupa de protecção, a lavagem das zonas expostas da pelo ou o duche, mais a mudança completa de roupa são efectivos na redução da transmissão do DESv entre grupos de porcos.

<p>Enric Marco</p>
A visão a partir do campo por Enric Marco

A DES tem causado numerosas perdas e continua a causar todos os anos. Coincidendo com a época fria, temos novos surtos da doença que afectam, em maior ou menor grau, as explorações. Nos piores casos, a doença permanece endémica circulando nas baterias e produzindo diarreia em todos os lotes de leitões desmamados. A prevenção da doença depende exclusivamente da implantação de correctas medidas de biossegurança que necessariamente devem contemplar o transporte. A estas alturas, temos muito claro o papel que um transporte contaminado tem na difusão da infecção nas nossas explorações e sabemos como o evitar, ainda que nem sempre seja fácil.

Quando uma exploração se infecta pelo vírus da DES sabemos que os danos se mitigam se se fizer circular rapidamente o vírus pelas gestações, atrasando ao máximo a contaminação das maternidades. Com isso, evita-se a infecção dos leitões mais jovens e reduzem-se as perdas, ao serem eles, precisamente, os mais sensíveis à doença. Deter a circulação do vírus dentro da exploração, não só interessa em casos de infecções novas, como também é interessante consegui-lo entre lotes de leitões ao desmame para evitar que a infecção se estabeleça de forma endémica; e entre lotes de primíparas, de tal modo que cheguemos a cortar o ciclo de infecção entre os diferentes grupos de porcas de reposição. Mas, como fazê-lo?

O presente artigo ajuda a estabelecer quais são as medidas mínimas de biossegurança que deveremos implementar a nível interno para o conseguir. Quando os animais excretam o vírus de forma massiva (primeiros dias pós-infecção) o vírus pode ser encontrado contaminando a roupa, as mãos, pele, cabelo e calçado do pessoal que maneja os animais. Portanto, mudar de roupa, mudar de calçado, bem como lavar as mãos e a cara são como medidas efectivas para evitar que o pessoal se converta nol disseminador da doença.

Não obstante, não podemos esquecer que os ensaios descritos no artigoo foram levados a cabo em instalações experimentais onde não existem algumas das circunstâncias que são comuns nas explorações: leitões atrasados que se mudam de grupo, roedores que vão de sala em sala sem passar por um túnel de lavagem ou material que se usa em diferentes salas indistintamente.

O primeiro passo para melhorar a biossegurança interna é conhecer quais são os pontos críticos, mas para que a melhoria seja uma realidade, há que os levar à prática de modo consistente no tempo, o que às vezes é muito difícil em explorações comerciais onde o desenho nem sempre acompanha.

Do laboratório à exploração

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