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Mercado do porco sem grandes alterações, mas estável e com porcos menos pesados

A cotação dos porcos em Portugal manteve-se nos 1,532€/kg carcaça na primeira quinzena de Fevereiro na Bolsa do Porco.

12 de Fevereiro de 2026

Antes de entrar no comentário propriamente dito, quero deixar a minha solidariedade para com todos aqueles que sofreram, de forma mais violenta e cruel, os resultados da Tempestade Kristin, que deixou um rasto de destruição no nosso sector, principalmente na Região Centro do país. Com esperança, perseverança e fé irá ser dada a volta por cima e produtores, industriais de rações e de abate, que são resilientes, voltarão mais fortes e mais capazes. Também se espera que os apoios anunciados pelo Governo possam chegar o mais rapidamente possível para poder haver uma retoma à normalidade o quanto antes.

Agora mais especificamente, e no que ao mercado se refere, a cotação dos porcos em Portugal manteve-se nos 1,532€/kg carcaça na primeira quinzena de Fevereiro na Bolsa do Porco. O peso dos porcos começa a ter tendência de descida, mas com a destruição de uma parte significativa das explorações de suínos de Portugal, houve a necessidade de retirar mais porcos para abate do que aqueles que seria expectável, para que estes não ficassem em péssimas condições nas explorações.

Isto implicará mais carne de porco a ser colocada no mercado, numa altura em que as vendas de carne continuam complicadas e sem grandes desenvolvimentos. Apesar de todas as vicissitudes e das dificuldades, houve condições para manter as cotações e ainda bem!

No que diz respeito ao mercado espanhol, aquele que tem mais influência sobre o mercado português, o nível de abates é muito elevado e levou a uma descida dos pesos, apesar deste continuarem muito elevados e bem acima do peso do ano passado, como poderão ver mais abaixo.

Tal como referi no meu anterior comentário, a Espanha continua a ter muita dificuldade em vender carne, e outros produtos, para Países Terceiros apesar de haver possibilidade de o fazer. Os mercados de destino ainda não querem comprar carne a Espanha e a carne de porco espanhola está a entrar no mercado europeu a preços muito baixo e competitivos, o que obriga, principalmente, a Alemanha a ter preços baixos para vender a sua carne no mercado da U.E. Isto é a competição entre os dois maiores produtores europeus na conquista de mercado para colocação de carne de porco que, nem sempre é bom para os restantes países.

De alguma forma, o país europeu que mais tem beneficiado com o espaço deixado em aberto pela Espanha nos mercados terceiros, é a Dinamarca. A carne de porco dinamarquesa tem ocupado parte do espaço deixado livre pela Espanha e isto também permite desafogar o mercado dinamarquês.

Portugal também poderá beneficiar desta impossibilidade espanhola para colocar mais carne de porco em mercados terceiros. Teremos que esperar pela publicação das estatísticas do último trimestre de 2025 e do primeiro trimestre de 2026 para vermos se houve impacto positivo ou não.

Uma notícia muito interessante para o mercado do porco e que se poderá converter num factor positivo para as exportações para Países Terceiros, foi o anúncio da erradicação da Peste Suína Africana na Saxónia (Alemanha), sendo que há 1 ano que não aparece nenhum foco. Com esta evolução da situação, haverá mais um Lander alemão que poderá exportar para mercados terceiros, havendo a possibilidade de desanuviar, de carne de porco e seus derivados, o mercado interno da U.E.

Muito positivo para o mercado do porco em geral, e que poderá permitir perspectivar uma subida das cotações dentro de 3 meses, senão antes, é a paulatina e segura subida da cotação dos leitões para engorda.

Entretanto em Espanha, continuam a aparecer focos secundários de Peste Suína Africana, num total de 142, todos em javalis e todos dentro da zona de 6km em redor do foco inicial.

No que diz respeito à evolução das cotações europeias do porco, em Espanha a cotação manteve-se em 1,00€/kg PV na primeira quinzena de Fevereiro (1,333€/kg carcaça). De acordo com as informações da Mercolérida, o peso 500g em carcaça nesta quinzena, situando-se 1,4kg acima no peso da mesma quinzena do ano passado. Portanto, esta redução do peso dos porcos é a demonstração que se começa a reduzir a oferta de porcos para abate e que o mercado se vai encaminhando para uma melhor fluidez. O peso vivo está 2,6kg acima do peso do ano passado e está distante do peso 115-120kg que tanto os produtores como os matadouros pretendem.

Na Alemanha a cotação manteve-se em 1,45€/kg carcaça na primeira quinzena de Fevereiro. Os pesos em carcaça baixaram 300g para 99,2kg. O excedente de porcos para abate foi em grande parte absorvido. Os pesos das carcaças estão a cair novamente, um sinal de uma redução gradual da oferta. A procura, no entanto, mantém-se estável, sem qualquer factor determinante específico no mercado da carne. A comercialização de suínos está a decorrer de forma mais tranquila e o equilíbrio do mercado está a fortalecer-se.

Nos Países Baixos a cotação manteve-se em 1,21€/kg carcaça na primeira quinzena de Fevereiro.

Na Bélgica a cotação sofreu uma regularização e passou de 0,90€/kg PV para 1,08€/kg PV na primeira quinzena de Fevereiro. Isto deveu-se a um “acerto” no mercado e não a uma subida efectiva. A situação difere marcadamente da do ano passado. Os pesos continuam a cair e o mercado parece mais desafogado. Embora a influência dos preços europeus contribua para a estabilidade, a concorrência entre os compradores belgas está a criar uma pressão interna de subida das cotações.

Na Dinamarca a cotação baixou 0,04€/kg carcaça para 1,21€/kg carcaça na primeira quinzena de Fevereiro. A Dinamarca está a aproveitar o vazio deixado pelos espanhóis para exportar mais entremeadas e a melhor preço para o Japão, mas a pressão da carne espanhola dentro da Europa é forte e daí o seu ajustamento, em baixa, da cotação.

Em França, a cotação desceu 0,005€/kg carcaça para 1,41€/kg carcaça na primeira metade de Fevereiro. Os pesos baixaram 600g e fixaram-se nos 98,9kg, encontrando-se 1,5kg acima do peso de 2025. A actividade de abate diminuiu significativamente em comparação com a quinzena passada, mas, tal como nas semanas anteriores, continua acima dos valores de 2025, permitindo que este aumento continue a reduzir os atrasos na saída de porcos das explorações.

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