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Manutenção no Sul e forte descida no Norte: eis o mercado europeu do porco!

Após as subidas das semanas anteriores, a primeira quinzena de Julho caracterizou-se pela manutenção da cotação na Bolsa do Porco.

17 de Julho de 2020

Após as subidas das semanas anteriores, a primeira quinzena de Julho caracterizou-se pela manutenção da cotação na Bolsa do Porco. Os porcos encontram-se com pouco peso e os produtores não têm quaisquer problemas em vender os seus porcos. Todavia, o mercado da carne continua com vendas complicadas e, com os preços a que os porcos são pagos ao produtor, o preço ao consumidor deveria ser mais bem mais barato na grande distribuição.

Apesar da procura de porcos para abate ser superior à oferta, não houve condições de subida das cotações isto porque no norte da Europa houve descida vertiginosas das cotações do porco de cerca de 0,20€/kg carcaça (Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca) e este comportamento travou as eventuais subidas que poderiam haver nos mercados do sul, como seria o caso de Espanha e, por consequência, a do mercado português.

Mas o que levou a estas descidas acentuadas nas cotações dos países do Norte? Evidentemente, problemas com a COVID-19. O encerramento de matadouros na Alemanha (o da Tonnies continua fechado), na Holanda (algumas unidades da Vion) e em França, devido ao aparecimento de inúmeros trabalhadores infectados com o coronavírus, levou a China a proibir as importações desses países (estas proibições já estão em vigor há mais de 15 dias), mas com o continuar dos dias sem laborar vão-se acumulando os porcos nas explorações e, principalmente, vai havendo muitos problemas em absorver, no mercado da U.E., a carne que não vai para a China.

Na realidade, isto é mais um problema de excesso de carne do que de excesso de porcos, pois o seu não envio para a China deixa um enorme excedente no mercado interno e para vender o que há em excesso é necessário baixar preços. Ora, se há a necessidade de baixar preços da carne, há a pressão para baixar o preço da matéria-prima de origem da carne que são os porcos. Isto tem acontecido apesar de haver menos oferta de porcos no mercado, porque sazonalmente isto é o habitual todos os Verões e porque chegou o calor e isso diminui o crescimento dos porcos, como fica comprovado com a redução dos pesos de abate.

A Espanha ainda não se sentiu afectada por estas proibições de exportação de carne para a China porque não têm aparecido problemas de maior, com trabalhadores positivos à COVID-19 nos seus matadouros e salas de desmancha e, por isso mesmo, as suas exportações para a China continuam a bom ritmo. Segundo as informações que nos chegam de Espanha, o mercado chinês já é mais importante nas exportações espanholas de carne de porco do que o mercado da U.E. É bastante significativa este dado, visto que o mercado do porco de Espanha foi crescendo sustentado nas vendas de carne e de porcos para o mercado interno da U.E., tornando-se o maior produtor de porcos da União Europeia, se considerarmos apenas a produção indígena bruta, ou seja, o efectivo reprodutor e o número de porcos de abate produzido por este mesmo efectivo reprodutor.

Outro dado importante no mercado internacional, e que teremos que esperar para ver que impacto terá no comércio mundial de carne de porco, foi a proibição chinesa aplicada aos matadouros brasileiros BRF e JBS. Quem sairá beneficiado com esta proibição? A U.E. e, neste caso a Espanha ou os Estados Unidos?

Não devemos esquecer que nos Estados Unidos continuam os enormes problemas em abater porcos e em desmanchar as suas carcaças (e as das outras espécies também), mas não existe nenhuma informação de que a China tenha proibido as importações de carne de porco dos EUA.

Nesta altura do ano os países do Sul da Europa (Espanha, Portugal, Itália) estariam cheios de turistas do Norte a passarem as suas férias de Verão e a consumirem bastante carne de porco. Este aumento sazonal da população consumidora faria com que houvesse envios de carne do norte da Europa e este ano isso não se verifica. Ao ficarem nos seus países de origem, estes consumidores não consomem tanta carne de porco como quando estão de férias e este é outro dos estrangulamentos do mercado da carne.

Em Espanha a cotação baixou 0,0€/kg PV nesta quinzena (-0,008€/kg carcaça) para 1,322€/kg PV (1,762€/kg carcaça). Os pesos voltaram a descer 1,2kg carcaça nesta quinzena. Mesmo assim, encontram-se acima dos pesos do ano passado. Com as descidas fortes nos países do norte, a Espanha tem o preço mais alto da Europa e isso faz com que continue a ter oferta de porcos de França e de Portugal. Se os produtores portugueses têm condições para vender porcos a Espanha, sendo o país vizinho excedentário na produção de porcos, é sinal que os matadouros portugueses estão a pagar muito pouco pelos porcos nacionais. Será que pagam mais pelos porcos espanhóis? A pergunta fica no ar! Quem souber, que responda.

Na Alemanha, a cotação baixou de forma brutal nesta quinzena. A descida foi 0,19€/kg carcaça nesta quinzena, passando a cotação para 1,47€/kg carcaça. O peso médio subiu 200g para os 97,2kg. As vendas de carne fluíram um pouco melhor com esta descida acentuada do preço, mas esta será suficiente?

Na Holanda a cotação também desceu 0,19€/kg carcaça para 1,47€/kg carcaça. Há muita falta de fluidez nos abates de porcos na Holanda e na Alemanha e isto afecta bastante o mercado do porco holandês.

Na Bélgica a cotação baixou 0,13€/kg PV para 0,94€/kg.

Na Dinamarca a cotação desceu 0,04€/kg carcaça fixando-se em 1,41€/kg carcaça, se bem que na segunda semana desta primeira quinzena de Julho a cotação tenha mantido, o que é um bom sinal. Sem grandes problemas a nível da COVID-19, a Dinamarca está com boas vendas de carne de porco para a China e para o Japão, já que estes países têm confiança na carne oriunda deste país.

Em França após 14 sessões consecutivas do MPB com a cotação sem qualquer alteração, nesta quinzena houve uma descida de 0,053€/kg carcaça para 1,293/kg carcaça. Os pesos baixaram 700g para 95kg (mais 1,1 kg que na mesma semana de 2019). A variação das cotações no norte da Europa teve impacto na cotação francesa, a que se juntou o feriado de 14 de Julho que fez reduzir o número de dias de abate. Veremos qual o seu impacto na acumulação de porcos nas explorações.

O mercado europeu está cheio de incertezas e teremos que aguardar o desenrolar dos dias para ver se há sinais positivos no horizonte que possam trazer estabilidade à fileira do porco.

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