X
XLinkedinWhatsAppTelegramTelegram
0
1

Grande tormenta nas cotações dos porcos em toda a Europa

Descida forte e significativa da cotação na Bolsa do Porco em Portugal, perfazendo um total 0,13€/kg carcaça na primeira quinzena de Maio.

15 de Maio de 2020

Descida forte e significativa da cotação na Bolsa do Porco em Portugal, perfazendo um total 0,13€/kg carcaça na primeira quinzena de Maio. Desde que a cotação começou a baixar, o acumulado já vai nos 0,29€/kg carcaça. Isto sem contar com ajustamentos (leia-se descidas) mais acentuados realizados por uma parte dos matadouros, o que coloca os produtores à beira de um ataque de nervos. As descidas na Europa situam-se entre os 12 e os 20 cêntimos por quilograma de carcaça nesta primeira quinzena de Maio.

Com as descidas da Bolsa do Porco, os suinicultores estão a vender os seus porcos cerca de 25,00€ mais baratos do que há 1 mês atrás, o que é significativo.

O que aconteceu em Portugal também se passou no resto dos mercados europeus: grande redução na venda de carne de porco devido a forte redução na procura de carne em função do encerramento de restaurantes, cantinas de escolas e de empresas, locais de fast food e da proibição da realização de festas populares, festivais de música e etc, e da redução dos rendimentos das famílias devido a situações de lay off e de desemprego.

Perante este cenário, alguns dos matadouros portugueses optaram por suprimir dias de abate e isso levou ao atraso na saída dos porcos das explorações com a natural e consequente pressão vendedora por parte dos produtores que querem vender os seus porcos o quanto antes, para não os venderem mais baratos na semana seguinte e também porque necessitam de espaço nas engordas para colocar os leitões, visto que o espaço das baterias é necessário para colocar leitões desmamados pois são necessários os lugares de maternidade para que as porcas possam parir. O verdadeiro ciclo fechado da produção de suínos nacional.

Os mercados europeus queixam-se do mesmo mal que o mercado português, já que houve grandes descidas nas cotações dos porcos de abate tendo mesmo havido suspensão da cotação das porcas de refugo na Alemanha devido às vendas fracas de produtos transformados naquele país o que fez reduzir a procura da carne das porcas de refugo que é utilizada para a produção de transformados.

A redução nos abates em toda a Europa criou um excesso de oferta de porcos e o aumento do seu peso que implica mais quilogramas de carne que irão aparecer no mercado europeu e que se terão que consumir. Esse consumo tanto será no mercado interno como no de Países Terceiros.

Agora que toda a Europa começa lentamente o seu desconfinamento, iremos ver em que medida este terá efeito no aumento gradual do consumo de carne de porco. Não nos podemos esquecer que no futuro próximo e a médio prazo, a Europa (e todo o mundo) irá mergulhar numa crise económica profunda de contornos ainda pouco claros. O que sim, sabemos, e é um dado adquirido, é que dificilmente haverá turistas a viajar pela Europa – e que influência estes têm na economia portuguesa – e que começam a haver bolsas de fome em Portugal, e acredito noutros países europeus se passe o mesmo, o que é demonstrativo das dificuldades por que começam a passar algumas famílias e da redução do poder de compra dos consumidores.

Apesar de toda esta dificuldade no mercado interno, as exportações da U.E para Países Terceiros no primeiro trimestre do ano continuaram a crescer, principalmente para a China, apesar de terem diminuído para os restantes países do Sudeste Asiático.

Assim, o volume do total das importações de carne de porco da China, no primeiro trimestre de 2020 subiram 117,6% (!!!) em comparação com igual período de 2019. Portugal é o 14º fornecedor mundial de carne de porco fresca e congelada da China, com 3867 tons entre Janeiro e Março de 2020 (+2478% - sim, leu bem, 2478% de aumento), ou seja, quase 1300 tons por mês quando em 2019 no mesmo período apenas exportou 150 tons. Destacam-se, a nível de quantidades e aumentos a Espanha, que é o maior fornecedor de carne de porco da China com um aumento de 148,7% para 170183 tons, dos Estados Unidos que teve um aumento de 636% para 167955 tons, da Alemanha com 144% de aumento para 149 114 tons, do Brasil com +169% para 85668 tons, da Dinamarca com +386% para 84953 tons. para mencionar os 5 primeiros. É ainda assinalável o crescimento do México, que passou de 970 tons para 18983 tons (+1857%). Estes dados são demonstrativos da forte redução do efectivo suinícola chinês provocado pela Peste Suína Africana e que este ainda não começou a recuperar de forma significativa.

Os meses de Fevereiro e Março foram meses em que a pandemia de COVID-19 esteve no seu auge na China e mesmo assim, com todas as dificuldades logísticas, os volumes de compra foram assinaláveis, o que deixa antever que o futuro, no que diz respeito às compras chinesas de carne de porco na U.E. serão excelentes.

Mas a grande questão do momento é a que preço a China vai querer comprar esta carne? Na realidade, os chineses andam a pressionar os preços da carne europeia para poderem comprar mais barato. E porquê? Porque a carne norte-americana é mais barata e, nos últimos tempos, com a redução do valor das taxas de entrada na China aplicadas sobre a carne dos Estados Unidos, o preço desta baixou e pressiona os preços sobre a carne europeia. Veremos o que se irá passar nas próximas semanas/meses ao nível do preço de exportação da carne de porco.

Nos Estados Unidos continuam as grandes dificuldades para abater porcos, pois cerca de 20% da capacidade de abate está encerrada devido ao aparecimento de inúmeros casos de infectados por coronavírus entre os trabalhadores desses matadouros. Para se ter uma noção do problema, nos EUA estão-se a abater apenas 1,5 milhões de porcos por semana, quando o ano passada, neste mesma altura se abatiam mais 2,3 milhões por semana, ou seja, mais 800 mil a que se junta um aumento da oferta de porcos de abate de 5% em termos anuais.

Na Europa também se começam a verificar situações similares, se bem que ainda não tão graves. Na Alemanha encerraram 2 matadouros devido ao mesmo problema e em Portugal começaram a aparecer alguns trabalhadores positivos em unidades de processamento de carnes. Veremos a evolução dos casos e as implicações ao nível do abate, transformação, distribuição e consumo no nosso país.

Outra situação gravíssima é que vivem os produtores de leitões, principalmente o que produzem leitões para assar. Os preços desceram muitíssimo e não há escoamento. Mesmo após a abertura dos restaurantes, que se prevê aconteça a partir de dia 18 de Maio, a situação irá manter-se e deverá tardar até o mercado poder ficar mais equilibrado. E medidas de apoio para estes produtores? Zero! Absolutamente nenhumas! Veremos por mais quanto tempo estes produtores aguentarão esta situação, pois se todos acabarem com a produção de leitões de assar o problema resolve-se por si só sem ser preciso tomar quaisquer medidas de apoio. Talvez seja isto que os responsáveis esperam que aconteça.

No que diz respeito às cotações, a sua evolução foi a seguinte:

Em Espanha a cotação desceu 0,098€/kg PV nesta quinzena (-0,131€/kg carcaça) para 1,29€/kg PV (1,72€/kg carcaça). Os porcos têm mais 4kg do que tinham o ano passado nesta mesma altura. A carne baixou cerca de 0,35€/kg em 2 semanas. A cada semana vão-se acumulando porcos e, apesar do grande ritmo de exportação de carne espanhola, o abate dos porcos encontra-se bastante difícil.

Na Alemanha, a cotação baixou 0,15€/kg carcaça para 1,60€/kg carcaça. Apesar da redução do número de porcos abatidos, a manutenção do peso médio nos 97,1kg é um bom sinal já que pode indicar que o excesso de oferta de porcos para abate pode estar a chegar ao fim e que o mercado se encaminha para um equilíbrio entre a oferta e a procura.

Na Holanda a cotação desceu 0,21€ para situar a cotação em 1,65€/kg carcaça e na Bélgica não há cotação disponível. Na Holanda há grande incerteza no mercado, se bem que comecem a aparecer alguns sinais positivos, como é a melhoria da climatologia e as exportações para a China, havendo como pontos negativos a forte redução do consumo interno na Europa. Porcos pesados no mercado holandês são factor que pesa – passe a redundância – na definição de preços.

Na Dinamarca a cotação desceu 0,12€/kg carcaça fixando-se em 1,61€/kg carcaça. Os dinamarqueses dizem que já vêem a luz ao fundo do túnel. Apesar de fraca, não deixa de ser uma luz que indica que, há forte expectativa para que os mercados, se não melhorarem no imediato, que não piorem. Bateu no fundo a descida das cotações, segundo os dinamarqueses e, a partir de agora, haverá estabilização para depois começar a subida.

Em França a cotação desceu 0,078€/kg carcaça passando a cotação para 1,354/kg carcaça. Os pesos subiram 180g para 96,58kg (mais 770g que na mesma semana de 2019). O mercado francês teve várias semanas consecutivas com feriados, desde a Semana Santa e isso tem afectado negativamente o mercado. Agora, aproxima-se o feriado da 5ª Feira da Ascenção. O calendário não tem ajudado muito a fileira francesa do porco e espera-se que as condições de mercado possam melhorar com a diminuição das medidas de confinamento e o lento regresso das pessoas ao trabalho.

As fortes descidas poderão ter chegado ao seu fim, já que começa a haver um novo equilíbrio entre a oferta e a procura. Vamos espera para ver se os mercados se realinham e começam a ficar mais activos permitindo, de novo, subidas nas cotações dos porcos.

Comentários ao artigo

Este espaço não é uma zona de consultas aos autores dos artigos mas sim um local de discussão aberto a todos os utilizadores de 3tres3
Insere um novo comentário

Para fazeres comentários tens que ser utilizador registado da 3tres3 e fazer login

Não estás inscrito na lista Última hora

Um boletim periódico de notícias sobre o mundo suinícola

faz login e inscreve-te na lista

Não estás inscrito na lista A web em 3 minutos

Um resumo semanal das novidades da 3tres3.com.pt

faz login e inscreve-te na lista