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Como ajudar as nulíparas em quarentena a melhorar seu estatuto imunológico?

Além das medidas profiláticas, a nutrição de porcas de reposição desempenha um papel crucial no desenvolvimento de seu estado de saúde. Esta revisão aborda diferentes estratégias para aumentar o estatuto imunológico durante a quarentena.

4ª feira 2 Outubro 2019 (há 2 meses 9 dias)
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O estatuto imunitário das porcas de substituição, juntamente com o das restante porcas, é responsável por grande parte da estabilidade sanitária da exploração.Vacinar, imunizar e "resfriar" qualquer possível doença infecciosa na substituição são essenciais para minimizar os riscos subsequentes. No entanto, embora a criação de reposição e a quarentena incluam programas intensivos de vacinação e exposição a agentes patogénicos, as dietas actuais fornecem um estatuto adequado para enfrentar esses desafios? Neste artigo, são focados alguns componentes nutricionais que foram estudados para melhorar o estatuto imunitário.

Durante um desafio imunológico, a fosforilação oxidativa em favor da glicólise é reduzida, o que, por sua vez, diminui a eficiência metabólica. As proteínas imunitárias (isto é, citocinas e proteínas de fase aguda) são sintetizadas e libertadas na corrente sanguínea. Este excesso de citoquinas inflamatórias, junto com o stress oxidativo, produzem dano tissular. A inflamação e a subsequente produção de anticorpos aumentam a procura por energia e aminoácidos, enquanto a letargia e a anorexia contribuem muito para o catabolismo proteico. A resposta aguda (ou seja, TNFα, IL1β) também antagoniza os factores de crescimento o que suprime directamente o crescimento (Broussard et al., 2001, 2004). Entre todas essas mudanças fisiológicas, a principal consequência para o rendimento animal é a redução do consumo de ração. Outros problemas, como co-infecções ou coxeiras também podem ser ocasionadas com uma falta de resposta imunitária adequada. Não se pode considerar uma novidade a sugestão de que a antecipação nutricional à inflamação e/ou às mudanças metabólicas pode ser uma estratégia de êxito para mitigar os efeitos negativos da doença sobre o rendimento suíno.

Durante os últimos 10-15 anos, as estratégias nutricionais para mitigar ou prevenir doenças (ou seja, como alternativas aos antimicrobianos) têm atraído a atenção dos investigadores. Os objectivos mais comuns são a redução da carga bacteriana ou a melhoria da imunidade, a saúde intestinal, a função digestiva e o estabelecimento de micróbios benéficos que ajudam a aumentar o rendimento. No entanto, as publicações mostram uma grande variabilidade nas respostas e na eficácia (Adewole et al., 2016; Celi et al., 2017; Pluske et al., 2018).Estas investigações concentraram-se, principalmente, em leitões de transição e, menos, em porcos adultos (isto é, aclimatação de porcas de substituição), múltiplas vacinas ou surtos de doenças.

Se for considerada, por exemplo, a síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRS), boa parte do trabalho concentra-se na soja. As isoflavonas genisteína e daidzeína são componentes da soja às quais são atribuídos efeitos imunomoduladores positivos e negativos. A alimentação de porcos jovens com concentrações de genisteína entre 200 e 400 ppm resultou um imunomodulador activo. Aumentou a eliminação de vírus e melhorou o crescimento em porcos infectados experimentalmente com PRRS (Greiner et al., 2001a). No entanto, a mesma dose de daidzeína apenas melhorou ligeiramente o crescimento (Greiner et al., 2001b). Aumentando a concentração de bagaço de soja de 21% para 32% em porcos de engorda (Johnston et al., 2010) e de 12,5% para 22,5% em leitões em transição (Rocha et al. 2013), foi alcançado melhorar o crescimento de porcos infectados pelo PRRSv. De um modo semelhante, Rochell et al. (2015), descobriram que um aumento de 17 a 29% melhorou o crescimento, a resposta imunitária e reduziu a carga viral de porcos com PRRS. Mais recentemente, nenhum desses efeitos foi observado ao aumentar o bagaço de soja de 10 para 30% em porcos de engorda (Schweer et al., 2018). Desta controvérsia, surgem possíveis interacções com a variação de agentes patogénicos, diferenças genéticas, idade dos porcos e variabilidade dos componentes activos do bagaço de soja. A variabilidade nos resultados indica que temos muito a aprender.

Extractos de plantas, são metabólitos secundários das plantas, com um certo grau de propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e antivirais. Eles têm o potencial de melhorar a imunidade da mucosa intestinal e da função da barreira intestinal
(Manzanilla et al., 2004; Liu et al., 2013). Alguns exemplos são a oleorresina de pimentão, o alho e a oleorresina de cúrcuma. Numa infecção por PRRSv, os extratos vegetais demonstraram a capacidade de retardar a febre e algumas alterações nas citocinas no período pós-infecção, melhorar a resposta imunitária e a eficiência do crescimento (apenas o extracto de oleorresina de cúrcuma) mas sem afectar o crescimento (Liu et al., 2013). Os dados actuais sugerem dificuldades em influenciar o rendimento, mesmo quando estratégias nutricionais são capazes de modular a imunidade.

A Vitamina E, foi estudado extensivamente para a prevenção da peroxidação lipídica em condições de stress oxidativo. A capacidade antioxidante é muito importante para o funcionamento das células imunológicas, onde os ácidos gordos poli-insaturados estão ameaçados por danos oxidativos. Em ratos suplementados com vitamina E, os títulos de influenza viral, a carga viral nos pulmões, IL1β e TNFα foram reduzidos (Han e Meydani, 2000). Não obstante, a vitamina E não reduziu a morbilidade nem aumentou o crescimento durante uma infecção aguda por PRRSv (Toepfer-Berg et al., 2004). A Vitamina A, com papel reconhecido pela capacidade imunitária da mucosa, entre outras funções na imunidade inata e adaptativa, também pode apresentar vantagens. O ácido retinóico, metabolito da vitamina A, é reconhecido como anti-inflamatório pela sua inibição da ciclo-oxigenase 2 (Villamor e Fawzi, 2005), mas o seu potencial em doenças suínas ainda não foi demonstrado.

Os ácidos eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA) do ómega-3 são ácidos gordos que melhoram a funcionalidade das células imunitárias e reduzem a inflamação celular. No entanto, eles também podem reduzir a sinalização de células T e a apresentação de antigénios (Shaikh e Edidin, 2007). Uma substituição de 5% do óleo de milho pelo óleo de peixe (rico em ómega-3) em leitões desmamados mostrou uma tendência a compensar o ganho de peso após um desafio com lipopolissacarídeos (LPS) (Gaines et al., 2003). Noutro estudo, uma substituição de 7% reduziu a inflamação celular e melhorou o rendimento num desafio com o LPS (Liu et al., 2003). Da mesma forma, níveis elevados de ómega-3 (10% de óleo de peixe) melhoraram o GMD e o crescimento num modelo com Staphylococcus aureus (Langerhuus et al., 2012).

Os aminoácidos são importantes para o sistema imunológico. A treonina (Thr) é um componente importante da g-globulina e, da mesma forma, a procura por triptofano (Trp) aumenta durante a inflamação (Cuaron et al., 1984; Le Floc’h et al., 2009). Foram usados Thr e Trp em combinação num estudo com a vacina viva PRRSv (Xu et al., 2015), onde as proporções mais altas (0,26 Trp: Lys e 0,80 Thr: Lys) reduziram os danos pulmonares e tenderam a ter um rendimento de crescimento maior. No seu estudo, os autores observaram uma maior expressão génica dos receptores Toll-like 3 e 7, que são potentes indutores da imunidade inata contra infecções virais.

A partir desta breve revisão, são deduzidas as possibilidades de intervenção nutricional no estado imunológico dos porcos. No entanto, com relação à eliminação precoce do agente patogénico, a redução da sua carga e a minimização de sintomas (como a redução de rendimento), parece ter uma fraca resposta na maioria dos dados publicados. As interacções entre agentes patogénicos concomitantes e factores como genética ou idade do animal são muito importantes. O papel da nutrição na imunidade de porcas de reposição durante a quarentena não foi estudado, portanto, os possíveis efeitos sobre seu rendimento reprodutivo ou longevidade são desconhecidos. Esse debate não é suficientemente abordado na indústria suinícola, mas a melhoria do estado de saúde durante várias vacinações e desafios de quarentena continua sendo uma oportunidade a ser elucidada.

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Plasma animal09-Set-2019 há 3 meses 2 dias

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