29 de Janeiro de 2026
A cotação dos porcos em Portugal manteve-se nos 1,532€/kg carcaça na primeira quinzena de Janeiro na Bolsa do Porco. Apesar de haver porcos pesados e as vendas de carne continuarem com pouco dinamismo, a manutenção da cotação traz alguma esperança de que os tempos mais complicados poderão ter passado.

Contudo, e apesar desta manutenção da cotação que vem na sequência da estabilidade da cotação espanhola, qualquer ligeiro “abanão” no mercado poderá ser suficiente para o desequilibrar e trazer, de novo, descidas na cotação.
Há a expectativa de que Espanha retome, com maior vigor, as exportações de carne de porco para Países Terceiros porque, apesar de haver muitos mercados abertos à carne de porco espanhola - os que aceitaram a regionalização do país -, estes pararam as compras de carne a Espanha. Ou seja, Espanha pode-lhes vender carne, eles é que não querem comprar essa carne.
Infelizmente para o mercado espanhol da carne de porco, continuam fechados os mercados do Japão e das Filipinas, que representam, segundo Mercolérida, cerca de um quarto das exportações espanholas de carne de porco (13% cada um deles), para além de que as Filipinas também sejam o destino de 14% das exportações de miudezas espanholas de porco. Portanto, estes mercados são muito importantes para o sector suinícola espanhol e, em segunda análise, para toda a fileira do porco europeia. Veremos se os esforços que os espanhóis têm envidado para que estes mercados possam abrir o mais rapidamente possível, dão frutos.
Entretanto em Espanha, continuam a aparecer focos secundários de Peste Suína Africana, – a causadora de todo este problema comercial e económico -, apenas em javalis, num total de 85 e todos dentro da zona de 6km em redor do foco inicial. “Do mal o menos”, como se costuma dizer, só que cada vez que aparece um novo caso de PSA, adia-se o levantamento das restrições comerciais e sanitárias causadas pela Peste. Portanto, agora as restrições estarão em vigor até ao dia 25 de Janeiro de 2027. Se voltar a aparecer mais algum foco (ou focos), esta data avança no calendário.
Em todo o caso, há que destacar o bom trabalho (aparentemente) que as autoridades espanholas estão a fazer para conseguir conter os animais positivos dentro da zona inicial do foco, evitando que se espalhem os focos e a doença e que a mesma chegue às explorações comerciais.
No que diz respeito à evolução das cotações europeias do porco, em Espanha a cotação manteve-se em 1,00€/kg PV na segunda quinzena de Janeiro (1,333€/kg carcaça). De acordo com as informações da Mercolérida, o peso subiu 1kg em carcaça nesta quinzena, quando na anterior tinha subido 2kg, situando-se 1kg acima no peso da mesma quinzena do ano passado. Portanto, esta redução do aumento de pesos dos porcos é a demonstração que se começa a reduzir a oferta de porcos para abate.
Na Alemanha a cotação manteve-se em 1,45€/kg carcaça na segunda quinzena de Janeiro. Os pesos em carcaça subiram 1kg para 99,5kg. O mercado mantém-se inalterado e a tendência continua a ser de estabilidade. Persiste um excedente de oferta, mas parece estar a diminuir gradualmente. Os níveis de abate estão no nível mais elevado desde o início do ano. Os pesos mantêm-se elevados, mas começam a diminuir, um sinal de melhoria gradual da liquidez.
Nos Países Baixos a cotação manteve-se em 1,21€/kg carcaça na segunda quinzena de Janeiro.
Na Bélgica a cotação manteve-se em 0,90€/kg PV na segunda quinzena de Janeiro. O nível de abate é particularmente elevado, mais de 10% superior ao do ano passado. Os pesos estão a diminuir e estão agora aproximadamente 3 kg abaixo das metas para 2025. O mercado parece, portanto, equilibrado, uma vez que os excedentes de final de ano foram absorvidos. Neste contexto favorável, o mercado belga continua, no entanto, a ser fortemente influenciado pela dinâmica dos principais países produtores.
Na Dinamarca a cotação manteve-se em 1,25€/kg carcaça na segunda quinzena de Janeiro.
Em França, a cotação desceu 0,008€/kg carcaça para 1,415€/kg carcaça na segunda metade de Janeiro. Os pesos mantiveram-se nos 99,5kg e encontram-se 1,8kg acima do peso de 2025. A actividade de abate continua robusta, com níveis significativamente superiores aos observados no ano passado. São necessários volumes de abate elevados para reduzir a acumulação de animais nas explorações e fazer baixar os pesos de abate.

