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Bagaço de soja (44-48% PB)

Bagaço de soja. United Soybean Board
Bagaço de soja. United Soybean Board

Valor nutricional (comparação de tabelas), produção, comércio e estudos mais recentes sobre o bagaço de soja.

6ª feira 9 Novembro 2018 (há 1 meses 1 dias)
gosto

Introdução

A soja (Glycine max) é uma leguminosa da família Fabaceae classificada dentro do grupo das oleaginosas. Trata-se de uma planta de origem asiática, autógama e sensível ao fotoperiodo. A autogamia permitiu o desenvolvimento das variedades OGM nos E.U.A. Existem variedades de ciclo curto (90 dias) a muito longo (200 dias). Ainda que não seja permitido o cultivo na UE das variedades OGM, está permitida a sua comercialização.

O bagaço de soja é obtido como um sub-produto da extracção do óleo de soja, sendo uma fonte de proteína e energia de alta qualidade para a alimentação animal. Os bagaços de soja frequentemente utilizados para a fabricação de ração procedem do processo de extracção por pressão e solventes, com um tratamento térmico da semente de soja, dando bagaços com uma alta concentração de proteína (+/-48%). Com a re-incorporação parcial da casca são obtidas as diferentes gradações de proteína frequentemente utilizadas a nível comercial.

É um ingrediente de alto valor alimentar já que representa a principal fonte de proteína e aminoácidos essenciais para o gado por ser rica em lisina, ainda que relativamente deficitária em metionina e triptófano. No entanto, a soja contém uma grande quantidade de factores anti-nutritivos termolábeis (antitrípsicos, urease e lectinas, que podem ser reduzidos após aplicar um correcto processamento térmico) e termoestáveis (glicinina e ß-conglicinina, que podem levar a uma resposta imunológica, danificar a mucosa intestinal e produzir diarreia em animais jovens se a soja não for correctamente tratada).

Produção e comércio

1. Grão de soja

Evolução da produção mundial de grão de soja nos 10 principais países produtores. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios.
Evolução da produção mundial de grão de soja nos 10 principais países produtores. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios.

Evolução dos 10 principais exportadores de grão de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios
Evolução dos 10 principais exportadores de grão de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios

Evolução dos 10 principais importadores de grão de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios
Evolução dos 10 principais importadores de grão de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios

2. Bagaço de soja

Há que destacar que existem países com baixa produção de soja mas elevada produção de bagaço de soja, como é o caso da União Europeia. Isto deve-se a que grande parte do grão de soja importado transforma-se em bagaço.

Evolução da produção mundial de bagaço de soja nos 10 principais países produtores. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios.
Evolução da produção mundial de bagaço de soja nos 10 principais países produtores. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios.

Evolução dos 10 principais exportadores de bagaço de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios
Evolução dos 10 principais exportadores de bagaço de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios

Evolução dos 10 principais importadores de bagaço de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios
Evolução dos 10 principais importadores de bagaço de soja por campanhas. Fonte: FAS-USDA *Dados provisórios

Estudo comparativo dos valores nutricionais

Os sistemas utilizados na comparação são a FEDNA (Espanha), o CVB (Holanda), o INRA (França), o NRC (E.U.A.) e o do Brasil.

FEDNA (44) FEDNA (48) CVB (44) CVB (48) INRA (46) INRA (50) NRC (44) NRC (48) BRASIL (44) BRASIL (47)
MS (%) 88,0 87,9 87,7 87,2 87,6 87,6 88,8 89,0 88,1 88,8
Valor energético (kcal/kg)
Proteina Bruta (%) 44,0 48,5 42,6 48,5 43,3 47,2 43,9 47,7 44,1 48,1
Extracto Etéreo (%) 1,9 1,9 2,2 1,9 1,7 1,5 1,2 1,5 1,1 1,1
Fibra Bruta (%) 5,9 3,2 6,0 3,7 6,1 3,9 6,6 3,9 5,4 4,6
Amido (%) 0,1 0,5 0,9 0,8 0,0 0,0 1,9 1,9 1,9 3,0
Açúcares (%) 7,0 7,0 9,1 10,3 8,5 9,2 - - - -
EM crescimento 3070 3265 - - 3170 3290 3382 3294 3118 3253
EN crescimento 1950 2025 1964 2048 1920 2000 2148 2087 1947 2043
EN porcas 2110 2195 1964 2048 2070 2120 2148 2087 2036 2120
Valor proteico
Digestibilidade proteína bruta (%) 85 87 86 88 87 90 85 87 90 91
Composição Aminoácidos (%)
Lys 6,08 6,16 6,20 6,20 6,10 6,10 6,29 6,20 6,17 6,05
Met 1,35 1,46 1,40 1,40 1,40 1,40 1,37 1,38 1,34 1,31
Met + Cys 2,83 2,97 2,90 2,90 2,90 2,90 2,92 2,85 2,81 2,83
Tre 3,91 3,96 3,90 3,90 3,90 3,90 4,01 3,90 3,92 3,89
Trp 1,30 1,35 1,30 1,30 1,30 1,30 1,34 1,38 1,41 1,39
Ile 4,45 4,56 4,60 4,60 4,60 4,60 4,46 4,48 4,69 4,64
Val 4,70 4,90 4,80 4,80 4,80 4,80 4,40 4,67 4,89 4,76
Arg 7,22 7,30 7,50 7,50 7,40 7,40 7,22 7,23 7,38 7,26
Digestibilidade ileal standartizada (%)
Lys 88 91 88 90 90 92 88 89 90,1 91,2
Met 89 92 89 91 91 93 89 90 91,8 92,5
Met + Cys 86 90 85,5 87,5 89 91 87 87 90,3 90
Tre 85 88 84 86 86 89 83 85 86,4 87,5
Trp 86 90 87 89 89 91 90 91 89,2 90,3
Ile 87 90 87 89 89 91 88 89 89,4 90,2
Val 86 90 86 88 88 90 80 87 88,1 89,5
Arg 92 95 92 94 94 95 92 94 94 94,7
Minerais (%)
Ca 0,29 0,29 0,31 0,30 0,34 0,34 0,35 0,33 0,24 0,35
P 0,61 0,65 0,66 0,64 0,62 0,62 0,64 0,71 0,59 0,59
Pfítico 0,40 0,43 0,46 0,45 0,37 0,37 0,36 0,38 0,37 0,36
Pdisponível 0,19 0,21 - - - - - - 0,22 0,23
Pdigestível 0,24 0,26 0,28 0,27 0,20 0,20 0,25 0,28 0,27 0,27
Na 0,02 0,02 0,02 0,02 0,00 0,03 0,01 0,08 0,02 0,02
Cl 0,02 0,06 0,04 0,04 0,04 0,09 0,05 0,49 0,05 0,05
K 2,20 2,20 2,19 2,18 2,12 2,11 1,96 2,24 1,83 2,11
Mg 0,27 0,27 0,30 0,29 0,29 0,29 0,29 0,27 - 0,23

ED = Energia digestível; EM = Energia metabolizável; EN = energia neta; PB = Proteína Bruta

1 Bagaço de soja com um conteúdo de proteína bruta de 44%
2 Bagaço de soja com um conteúdo de proteína bruta de 48,5%

A maioria dos sistemas de avaliação classificam o bagaço de soja em função do conteúdo em proteína sendo este valor o que dá nome ao produto à excepção do INRA que contempla como valor o conteúdo em proteína mais gordura residual após a extracção. Isto dá, para as diferentes tabelas, um intervalo entre 4 e 5 bagaços de soja procedentes da extracção. No entanto, para a presente revisão foram escolhidos os valores máximos e mínimos coincidindo com os extremos utilizados a nível comercial. O conteúdo em proteína está inversamente relacionado com o conteúdo em fibra que age como factor de diluição e é quem determina maioritariamente o conteúdo final de proteína nos bagaços comercializados (R2 = -0,86). À excepção do BRASIL, que dá os coeficientes de digestibilidade da proteína mais altos para ambas as qualidades de bagaço de soja, o resto dos sistemas, FEDNA, CVB, INRA e NRC, apresentam coeficientes de digestibilidade muito semelhantes entre eles. No caso do bagaço de soja de alto conteúdo em proteína, se bem que os coeficientes de digestibilidade da proteína sejam similares entre FEDNA, CVB e NRC, os coeficientes de digestibilidade aplicados para INRA e BRASIL são superiores. É importante destacar que, em termos de energia neta (EN), se bem que o NRC dá um valor mais alto (entre 180 e 230 kcal/kg mais que o resto dos sistemas) para o bagaço de soja 44%PB incluindo que para 48%PB, o valor EN para o resto de sistemas FEDNA, BRASIL, INRA e CVB é muito similar (menos de 100 kcal/kg). Quanto à soja 48% PB, o valor atribuído à EN pode ser considerado muito similar entre sistemas de avaliação. Independentemente dos valores EN atribuídos pelos diferentes sistemas (FEDNA, INRA, NRC ou BRASIL) deve ser destacado que o CVB oferece equações para a previsão do valor energético do bagaço de soja em funçãó dos coeficientes de digestibilidade considerando basicamente a proteína, a gordura, os polissacáridos não amiláceos, açúcares e amido. No entanto, os coeficientes de digestibilidade atribuídos à proteína, gordura e polissacáridos não amiláceos são os mais influentes e variáveis em função do tipo de bagaço dentro do intervalo 44 a 48% PB para este sistema. Em termos gerais (exceptuando a NRC para o bagaço de soja 44%PB) e da mesma forma que para o conteúdo em proteína a estimativa do valor EN está basicamente determinado pelo conteúdo em fibra posto que esta condiciona o conteúdo em proteína e ambos são os determinantes da estimativa do valor EN (com R2 = 0,77 em sentido positivo e R2 = 0,67 em sentido negativo, para a proteína e a fibra respectivamente). O conteúdo em amido também apresenta uma relação positiva sobre o conteúdo em energia não depreciável e inclusive com maior influência que o conteúdo residual de gordura.

Em termos de aminoácidos totais, tomando como referência a lisina, pode-se observar que para a soja 44%PB , enquanto que FEDNA e INRA dão valores semelhantes, NRC, CVB e BRASIL apresentam valores superiores no conteúdo de lisina (mas as diferenças não são nunca superiores a 3,5%). No entanto, para o bagaço de soja 48% PB, INRA e BRASIL apresentam valores semelhantes e mais altos que NRC, CVB e FEDNA que apresentam valores mais baixos e semelhantes entre eles. Os valores para o resto dos aminoácidos totais são bastante proporcionais à lisina para as diferentes qualidades de bagaço. O coeficiente de digestibilidade da lisina apresenta um intervalo entre 88% (FEDNA, CVB e NRC) e 90% (INRA e BRASIL) para o bagaço de soja 44%PB. No entanto, quem menores diferenças tem entre o bagaço de soja 44%PB e a 48%PB é o NRC, ficando em valores intermédios 90-91% CVB, FEDNA e BRASIL e INRA destaca com 92%.


Descobertas recentes

  1. O bagaço de milho-soja fermentado elevou os níveis de IGF1 em porcos de crescimento-acabamento.
    O bagaço de milho-soja fermentado pode aumentar significativamente a união de C/EBPβ ao promotor IGF1, potenciando a expressão e produção hepática de IGF1, melhorando o crescimento do porco.
  2. Efeito de uma inclusão elevada de bagaço de soja e de fitase sobre o crescimento de porcos desmamados alojados em condições comerciais.
    Podem ser aumentados os níveis de bagaço de soja nas dietas precoces de transição sem afectar o crescimento e inclusive pode ser favorável em porcos procedentes de explorações de porcas positivas a PRRS ao reduzir os custos dos tratamentos medicamentosos. A suplementação de fitase a níveis muito elevados pode melhorar o crescimento independentemente do nível de bagaço de soja da dieta.
  3. Avaliação do bagaço de soja bioprocessado sobre o rendimento e o estado imunitário durante as baterias.
    O bagaço de soja bioprocessado é uma alternativa adequada à farinha de peixe e/ou ao plasma seco em spray nas dietas da fase I e II das baterias, baseadas no crescimento do porco. A hipersenssibilidade prolongada à ovalbumina (OVA) indica que o bagaço de soja bioprocessado pode ter um impacto positivo sobre a imunidade dos porcos. O facto de duplicar a quantidade de IgG anti-OVA garante futuras investigações sobre o efeito do bagaço de soja bioprocessado sobre a imunidade dos porcos.
  4. Comparação da digestibilidade dos aminoácidos na soja integral, dois bagaços de soja e farinha de amendoim entre frangos broiler e porcos em crescimento.
    A digestibilidade da proteína bruta e da maioria dos AA foi menor em frangos broiler que em porcos, mas o padrão das diferenças na digestibilidade de AA entre ingredientes foi semelhante entre ambas as espécies.
  5. Uso de aminoácidos e composição corporal de porcos em crescimento alimentados com bagaço de soja processado ou farinha de colza com ou sem suplementação de aminoácidos.
    O processamento da soja afecta negativamente a retenção de nutrientes e o uso pós-absorção dos AA digestíveis (DIE) para a sua retenção. Os efeitos do processamento foram compensados suplementando com AA sintéticos.
  6. Efeito da substituição do bagaço de soja convencional por bagaço de soja baixo em oligossacáridos sobre o crescimento e as características da carcaça em porcos de engorda.
    A redução de oligossacáridos ao substituír o bagaço de soja convencional por bagaço de soja baixo em oligossacáridos na fase inicial, média ou final do periodo desmame-finalização não melhorou o crescimento nem as características da carcaça dos porcos.
  7. Composição química e digestibilidade de aminoácidos do bagaço de soja produzido nos EUA, China, Argentina, Brasil ou Índia.
    A digestibilidade ileal standartizada da proteína bruta e AA depende do país em que é produzido o bagaço de soja. Esta diferença e a variabilidade dentro de cada país deve ser avaliada quando se formulam dietas para porcos.
  8. Digestibilidade de aminoácidos em bagaço de soja para alimentação suína produzido em diferentes regiões dos EUA.
    O valor da proteína não difere entre o bagaço de soja produzido nos EUA independentemente da localização das fábricas de processamento.
  9. Efeito da substituição de bagaço de soja convencional por bagaço de soja baixo em oligossacáridos para dietas de transição.
    O bagaço de soja baixo em oligossacáridos reduziu a viscosidade do conteúdo intestinal mas não teve efeitos sobre o crescimento nem a morfologia intestinal ao ser fornecido a leitões durante as 2 primeiras semanas após o desmame.
  10. Valor nutritivo da torta de soja prensada a frio extrudada ou suplementada com multi-enzimas.
    A suplementação com enzimas avaliada neste estudo melhorou a digestibilidade de alguns AA, mas teve um efeito limitado sobre a digestibilidade de energia e, logo, da EN da torta de soja prensada a frio.
  11. Efeitos da isoflavona de soja sobre a capacidade antioxidante intestinal e as citoquinas em leitões alimentados com óleo de peixe oxidado.
    A suplementação dietética com isoflavonas pode reduzir parcialmente o efeito negativo do óleo de peixe oxidado ao melhorar a morfologia intestinal, assim como a capacidade antioxidante e a função imunitária dos leitões.


Referências

Foreing Agricultural Service. USDA. https://apps.fas.usda.gov/psdonline/app/index.html
FEDNA: http://www.fundacionfedna.org/
FND. CVB Feed Table 2016. http://www.cvbdiervoeding.nl
INRA. Sauvant D, Perez, J, y Tran G, 2004, Tables de composition et de valeur nutritive des matières premières destinées aux animaux d'élevage,
NRC 1982. United States-Canadian Tables of Feed Composition: Nutritional Data for United States and Canadian Feeds, Third Revision.
Rostagno, H,S, 2017, Tablas Brasileñas para aves y cerdos, Composición de Alimentos y Requerimientos Nutricionales, 4° Ed,

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