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Análise genética molecular global do PCV2

Microfotografía electrónica de dos cuerpos de inclusión en el citoplasma de un macrófago, que incluyen un muy elevado número de partículas de PCV2. 150.000x. Fuente: Carolina Rodríguez-Cariño, CReSA

Microfotografía electrónica de dos cuerpos de inclusión en el citoplasma de un macrófago, que incluyen un muy elevado número de partículas de PCV2. 150.000x. Fuente: Carolina Rodríguez-Cariño, CReSA

Os testes diagnóstico actuais são muito potentes, permitem mesmo detectar pequenas alterações no genoma de um vírus mas podem dizer-nos o quê?

4ª feira 12 Julho 2017 (há 2 anos 3 meses 3 dias)
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Artigo

J Gen Virol. 2015 Jul;96(Pt 7):1830-41. doi: 10.1099/vir.0.000100. Epub 2015 Feb 23. Global molecular genetic analysis of porcine circovirus type 2 (PCV2) sequences confirms the presence of four main PCV2 genotypes and reveals a rapid increase of PCV2d. Xiao CT, Halbur PG, Opriessnig T.

O que estuda?

Foram analisados e comparados 1680 ORF2 (open reading frame 2) de PCV2 utilizando diferentes métodos estatísticos para avaliar a relação filogenética das estirpes de PCV2.


Como se estuda?

Foram realizadas análises filogenéticas de 1537 sequências génicas ORF2 de PCV2 que tinham sido publicadas anteriormente a Fevereiro de 2014 em “GenBank” (uma base de dados genómicos mundial de internet) e 143 sequências ORF2 adicionais procedentes da base de dados do Laboratório diagnóstico da Universidade Estatal de Iowa (no total 1680 sequências ORF2).

Quais os resultados?

O estudo confirmou que PCV2 pode dividir-se em 4 sub-tipos principais: PCV2a, PCV2b, PCV2c e PCV2d. Além disso, os autores descreveram 6 clados intermédios mais pequenos entre estes sub-tipos. Um destes clados intermédios parece estar limitado à Ásia. No entanto, foram descritas estirpes deste clado de um modo constante, pelo que pode ser considerado um clado activo. Os outros clados intermédios incluem um número muito limitado de estirpes pelo que podem ser considerados inactivos. Podem ser representados pequenos grupos extintos de estirpes que mostraram pouca vitalidade, estirpes intermédias da evolução do vírus ou artefactos das análises. O PCV2c parece ser um grupo extinto de vírus. A afiliação de estirpes individuais a diferentes genótipos e clados intermédios depende por vezes do modelo estatístico utilizado e do número de estirpes de referência utilizadas na análise.

Os resultados também confirmam que houve duas grandes alterações de um subtipo para outro: em 2003, antes do uso das vacinas contra PCV2, houve mudança de PCV2a a PCV2b e a segunda mudança foi de PCV2b a PCV2d, que nos EUA se produziu principalmente entre 2011 e 2014.

As análises filogenéticas adicionais sugerem que tanto PCV2b como PCV2d evoluiram independentemente entre si desde há mais de 20 anos. Dentro de cada subtipo há uma divergência genética gradual. O motivo pelo qual PCV2 tem uma elevada taxa de mutação e tanta diversidade genética, pouco frequente nos vírus DNA, é desconhecido. Também não se conhecem as causas do constante aparecimento de estirpes nem das alterações de genótipos observadas. A primeira mudança ocorreu antes da introdução das vacinas contra PCV2.

Quais as conclusões que se extraem deste trabalho?

Este estudio demonstra que o PCV2 evolui muito mais rápido e é muito diverso em comparação com outros vírus DNA. A indústria suína deve manter-se alerta, monitorizar a evolução do PCV e determinar a sua relevância para o controlo de PCVD.

<p>Enric Marco</p>
A visão a partir do campo por Enric Marco

Não paramos de aprender e de nos surpreender. Tínhamos visto que os vírus DNA eram muito mais estáveis que os RNA e por isso a sua evolução era menos dinâmica. No entanto, no que respeita ao PCV2 não parece ser assim, se tivermos em conta que é um vírus conhecido há pouco tempo (a primeira sequência de amostras é de 1967), a verdade é que não parou de evoluir. O seu genótipo não parou de mudar, se bem que o significado desta dinâmica em termos práticos ou aplicativos não é claro.

Das conclusões do artigo parece desprender-se a suspeita de que a maior presença do genótipo PCV2d estaria relacionada com o uso alargado das vacinas, pois a maioria dos seus isolamentos procedem da amostras recolhidas de explorações com problemas, apesar de estar a usar a vacina. Esta coincidência fez circular a crença, em alguns colectivos de técnicos, que as vacinas não protegeriam da mesma forma todos os tipos genéticos descobertos de PCV2. Não obstante, creio que é justo dizer que o artigo não afirma isto em nenhum momento. De facto, um dos seus autores publicou mais de um artigo demonstrando a eficiência das vacinas comerciais baseadas no genótipo PCV2a contra os outros, incluindo o PCV2d.

Não nos deveria admirar que a maioria dos novos isolamentos genotipados sejam a partir de amostras de explorações com problemas, apesar de estar a vacinar os seus animais. Se não houver problemas, também não há necessidade de recolher amostras. Por outro lado, é altamente provável que explorações com problemas estejam a aplicar a vacina comercial. Quando encontrarmos situações onde os porcos apresentam sintomatologia sugestiva de circovirose, a vacinação é a primeira medida que todos aplicamos (antes de realizar inclusive provas diagnósticas) e quando já está a ser aplicado, vê-se que está a ser feito correctamente, pois a eficácia das vacinas é tal, que surpreende que possa estar a falhar.

O artigo evidencia a potência dos testes diagnósticos de que dispomos hoje em dia. Testes que nos permitem detectar pequenas mudanças no genoma de um vírus e que, apesar das limitações, nos permitem estabelecer inclusive cronologias no aparecimento de tais alterações, podendo estabelecer relações de proximidade ou distância genética entre os diferentes isolados. Mas infelizmente, a relação concreta entre genótipo e fenótipo nem sempre é conhecida e este é um destes casos. As mudanças genéticas podem ou não estar relacionadas com mudanças na patogenia e/ou antigénicos, mas de momento, e neste caso concreto, desconhece-se. Teremos que esperar a que a ciência avance e consiga esclarecer as dúvidas que que ainda existem sobre o PCV2.

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