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Impacto da vacinação intensiva sobre a epidemiologia de PCV2

A aplicação intensiva da vacinação nos Estados Unidos, desde 2006, induziu altos níveis de anticorpos anti-PCV2 e cargas víricas reduzidas, mas não eliminou completamente o vírus das explorações.

A vacinação contra o circovírus suíno tipo 2 (PCV2) protege com êxito contra a doença associada ao circovírus suíno (PCVAD- Porcine Circovirus Associated Disease).

As vacinas contra PCV2 foram introduzidas nos Estados Unidos em 2006 após um aumento nos casos de PCVAD e foram adoptadas rapidamente em toda a indústria suína para controlar os surtos de PCVAD. A aplicação intensiva da vacinação nos Estados Unidos, desde 2006, induziu altos níveis de anticorpos anti-PCV2 e cargas víricas reduzidas, mas não eliminou completamente o vírus das explorações (Dvorak et al, 2016). A vacinação de forma contínua pode conduzir à eliminação de PCV2 nas explorações, mas o vírus continua a ser observado entre um terço e metade das explorações dos EUA apesar da vacinação regular (Dvorak et al, 2016).

Todas as principais vacinas contra PCV2 baseiam-se actualmente no genótipo PCV2a, mas ficou demonstrado que protegem contra a doença causada por outros genótipos (Fort et al, 2008; Opriessnig et al, 2017). Com os anos, o genótipo observado mais frequentemente pasou de PCV2a a PCV2b, e actualmente PCV2d. Pensava-se que esta mudança era devido ao uso de vacinas de genótipo PCV2a, mas os surtos de PCVAD aparentemente associados aos genótipos recentes foram controlados depois de reinstaurar rigorosamente a vacinação com o mesmo programa ou modificá-lo. Isto sugere que o surto de doença foi devido a um maneio inadequado da vacina (como armazenamento ou aplicação inadequadas), mais que à falta de protecção cruzada da imunidade. Para examinar a mudança nos genótipos mais de próximo, foi-nos dado acesso à base de dados de sequências PCV2 do laboratório de diagnóstico veterinário da Universidade de Minnesota  (UMN-VDL) para o exame de mudanças epidemiológicas do PCV2 após o uso generalizado da vacina.

 

Resultados

As sequências ORF2 (Genbank ID KT867794-KT868522, n = 729) dos isolados de campo enviados para a UMN-VDL entre 2002 - 2015 foram verificados a integridade, precisão e metadados associados (Davies et al. 2016). A maioria das sequências foram obtidas em 2006 (47%) e 2007 (18%) e outro grande grupo de sequências foram obtidas a partir de 2012-2013 (figura 1). A PCV2a foi o único genótipo presente nas amostras examinadas até 2005, quando começou a aparecer PCV2b (figura 1). O principal genótipo visto entre 2006 - 2010 foi PCV2b, mas em 2011 e 2012 foi observado um ressurgimento de PCV2a  (figura 1). Em 2012 foram identificadas, pela primeira vez, sequências de PCV2d e em 2014 tinha-se tornado no principal genótipo (figura 1). Os isolados de PCV2e foram observados pela primeira vez em 2006 e posteriormente de novo em 2012, ainda que com uma prevalência baixa (figura 1).

Figura 1. Prevalência do genótipo PCV2 de 2002 a 2015. A frequência das sequências de PCV2 proporcionadas pela UMN-VDL de 2002 a 2015 é mostrada como a linha descontínua no eixo da direita. A percentagem de amostras totais de cada genótipo presente por ano mostra-se no eixo esquerdo.
Figura 1. Prevalência do genótipo PCV2 de 2002 a 2015. A frequência das sequências de PCV2 proporcionadas pela UMN-VDL de 2002 a 2015 é mostrada como a linha descontínua no eixo da direita. A percentagem de amostras totais de cada genótipo presente por ano mostra-se no eixo esquerdo.

Com a finalidade de ilustrar visualmente a distribuição dos genótipos no tempo, foi criada uma árvore de máxima verossemelhança utilizando MEGA 7.0.21 seguindo um código de cor segundo o ano (figura 2, n = 729). Curiosamente, ambos os genótipos PCV2a e PCV2b têm uma presença contínua ao longo do periodo de tempo examinado, com uma decrescente diversidade de sequências dentro de cada genótipo. Nos anos 2006-2007 foram observados alguns clusters de sequências idênticas, ou quase idênticas, sobretudo de PCV2b, e depois pareciam desaparecer (figura 2). Os genótipos PCV2d e PCV2e foram observados mais recentemente (2012 - 2015), ainda que o PCV2e também esteve presente em 2006 (figura 2).
 

 

Figura 2. Árvore filogenética de máxima verossemelhança. As 729 sequências ORF2 da base de dados UMV-VDL PCV2 com código de cor segundo o ano. Foram observados os genótipos.
Figura 2. Árvore filogenética de máxima verossemelhança. As 729 sequências ORF2 da base de dados UMV-VDL PCV2 com código de cor segundo o ano. Foram observados os genótipos.

Conclusões

As vacinas contra a PCV2 foram introduzidas pela primeira vez nas explorações suínas de EUA em 2006 e estão baseadas no genótipo PCV2a. A vacinação é claramente eficaz na eliminação das doenças associadas a circovírus, PCVAD, e na redução substancial dos níveis de virémia. No entanto, a vacinação poderá não eliminar PCV2 das explorações e poderá dar lugar a uma maior prevalência de genótipos não-PCV2a. O exame de mais de 700 sequências PCV2 bem verificadas da base de dados do laboratório de diagnóstico veterinário da Universidade de Minnesota, mostra que o aumento na prevalência do vírus do genótipo PCV2b começou em 2005, antes de as vacinas estarem disponíveis. O ressurgimento do genótipo PCV2a em 2011 indica que, pese a vacinação, PCV2a estava presente nas explorações em todos os EUA. Portanto, a diminuição dos genótipos de PCV2a e PCV2b no tempo e o aumento de PCV2d em 2012, pode ser devido a outros factores desconhecidos que e não apenas a selecção imunológica resultante da vacinação baseada em PCV2a.

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