Breve história da Peste Suína Africana na Europa
A doença foi descrita, pela primeira vez, no Quénia em 1921 e continua a ser endémica em largas zonas da África Sub-Saariana. Durante décadas, a PSA permaneceu confinada ao continente africano, o que reduziu a percepção de risco fora dessa região. Contudo, em 1957 o vírus saiu pela primeira vez de África e foi detectado em Portugal, marcando o início da sua expansão internacional. Ainda que um rápido despovoamento tenha permitido erradicar inicialmente o surto, a doença reapareceu em Espanha nos anos sessenta e não se conseguiu erradicar até 1995. Posteriormente, durante as décadas de 1970 e 1980 apareceram focos em países como Andorra (1975), Bélgica (1985), França (1964, 1967 e 1974), Malta (1978), Países Baixos (1986) e Itália (1967, 1969 e 1993), onde foi responsável por focos esporádicos (Rose e Le Potier, 2020).
Um ponto de viragem-chave aconteceu em 2007, quando a PSA foi detectada pela primeira vez na Europa de Leste, especificamente na Geórgia. A partir daí, o vírus espalhou-se pelo continente, chegando a Espanha em Novembro de 2025.

O mapa seguinte mostra visual e cronologicamente o aparecimento dos primeiros casos de Peste Suína Africana (PSA) na Europa após o seu ressurgimento em 2007 e a sua evolução geográfica ao longo do tempo, permitindo-nos compreender a magnitude e a velocidade da disseminação do vírus pelo continente.
Situação actual da PSA na Europa

Porco doméstico
Em 2025 registaram-se um total de 937 focos em porcos domésticos, o que representa um aumento de 25 % em relação a 2024 (752 focos), ainda que este número esteja muito abaixo dos picos históricos observados em 2018–2019 e, principalmente, em 2023, quando foram registados mais de 4.500 surtos, impulsionados principalmente pelo aparecimento da doença na Croácia, Bósnia e Herzegovina, Sérvia e Roménia.
Durante o último ano, a maioria dos focos voltou a concentrar-se na Europa de Leste e nos Balcãs, com números expressivos na Roménia, Sérvia, Croácia, Moldávia e Bósnia-Herzegovina. Outros países apresentaram uma clara estabilização ou declínio, como a Alemanha, que não registou qualquer foco em suínos domésticos no ano passado, após 10 focos em 2024.
Javalis
A situação em 2025 é especialmente relevante, com um aumento de 44 % no número de focos notificados em javalis em comparação com o ano anterior (11054 focos vs. 7672), situando-se no segundo valor mais elevado de toda a série, apenas atrás de 2021, quando se confirmaram 12150 focos. É de destacar o aparecimento da doença em Espanha em finais do mês de Novembro, com 13 focos confirmados até agora, todos eles dentro do raio de risco elevado de 6 km em redor do primeiro foco, na Província de Barcelona.
Os focos em javalis aumentaram na maioria dos países, tendo o aumento percentual mais significativo ocorrido na Estónia, onde vinham a diminuir gradualmente desde o pico em 2016 (1052) até 36 focos em 2024, antes de voltarem a subir em 2025 (259). Os países que reportaram o maior número de focos foram a Polónia, com 3351 (um aumento de quase 50% em comparação com 2024), a Alemanha, com 1992 (+113% em comparação com 2024), seguida pela Letónia, Bulgária, Hungria, Lituânia e Itália.
8 de Janeiro de 2026/ Redacção 333 a partir de dados do ADIS.


