5. Quais são as ferramentas mais úteis para detetar o CRS nas explorações?
Uma vez estabelecida a estratégia de diagnóstico, o passo seguinte é a vigilância, e é aí que muitas explorações falham. Como disse o Cano, "Se esperar até os porcos tossirem, já é tarde demais". O objetivo não é apenas diagnosticar a CRS quando esta se torna visível, mas detetar os primeiros sinais de que algo se está a desenvolver.
Segalés e Cano partilharam diversas ferramentas e estratégias práticas para a monitorização proativa da CRS:

- Necropsia de rotina com acompanhamento de lesões: Não se trata apenas de realizar necrópsias, mas de observar alterações ao longo do tempo. A monitorização da gravidade e dos padrões das lesões pode ajudar a identificar tendências emergentes ou alterações na pressão dos agentes patogénicos muito antes de se tornarem surtos clínicos.
- Sistemas de pontuação de lesões pulmonares: A utilização de um sistema de pontuação consistente em todos os lotes (quer no matadouro, quer na exploração) fornece dados quantificáveis. Segalés enfatizou que a avaliação das lesões não serve apenas para investigação: "É uma das poucas ferramentas de campo que fornece informações objetivas sobre a eficácia do seu programa de controlo."
- Monitorização das curvas de crescimento e taxas de tratamento: Diminuições subtis no ganho médio diário ou o aumento da utilização de tratamentos injetáveis precedem frequentemente o aparecimento de manifestações clínicas. Se observados com atenção suficiente, os números falam antes dos pulmões.
- Programas de vigilância ativa: Os testes de PCR em fluidos orais, zaragatoas nasais direcionadas ou amostras agrupadas podem fornecer indícios precoces da atividade dos agentes patogénicos. Estas ferramentas são especialmente úteis em sistemas de grandes dimensões, onde a deteção precoce de agentes patogénicos circulantes pode prevenir a disseminação em larga escala.
Clique aqui para ver o webinar gravado.
6. Que fatores influenciam o desenvolvimento da CRS?
A CRS não surge do nada. Segundo Cano, "os agentes patogénicos estão por todo o lado; é o ambiente que determina quem adoece". É por isso que duas explorações com infeções semelhantes podem apresentar resultados completamente diferentes.
Segalés e Cano realçaram que a CRS se alimenta não só dos agentes patogénicos, mas também das condições que lhes permitem causar danos. Quando o sistema já está sob stress, mesmo as infeções ligeiras podem evoluir para doenças graves.
As principais causas estão listadas abaixo:
- Produção em condições de elevada densidade: Cano afirmou claramente: "Se os porcos forem amontoados como sardinhas, não é de estranhar que as doenças se propaguem como fogo em palha seca." A elevada densidade animal aumenta o contacto direto, a transmissão por aerossóis e o stress geral — fatores que favorecem os agentes patogénicos respiratórios.
- Má ventilação: Uma causa comum. Quando o fluxo de ar é inadequado, acumulam-se gases como o amoníaco e o CO2, danificando as vias respiratórias e enfraquecendo as defesas imunitárias locais. No inverno, reduzir a ventilação para conservar o calor causa muitas vezes problemas que podem passar despercebidos.
- Flutuações de temperatura: As mudanças bruscas de temperatura (especialmente entre o dia e a noite) perturbam a termorregulação dos suínos, enfraquecendo a sua capacidade de resposta aos agentes patogénicos. Segalés observou que os leitões em transição são particularmente vulneráveis a estas mudanças, especialmente durante a mudança de ambiente ou no período de adaptação.
- Fatores de stress: O transporte, o desmame, o maneio e a mistura de animais são fatores que ativam o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, suprimindo o sistema imunitário. Mesmo o stress térmico no verão pode agravar as doenças respiratórias.
- Mistura de animais de diferentes idades: Quando se misturam porcos de tamanhos ou níveis de imunidade diferentes, os mais velhos podem transmitir os agentes patogénicos assintomaticamente, enquanto os mais jovens têm dificuldade em desenvolver uma resposta imunitária eficaz. Cano descreveu a situação como "jogar um jogo de futebol em que uma equipa usa capacete e a outra não".
- Sistemas de fluxo contínuo: Este é um fator importante. Em sistemas contínuos, os suínos recém-chegados entram antes de o ambiente ter sido limpo e seco, permitindo que os agentes patogénicos persistam e reinfectem os recém-chegados. Segalés realçou que "se o sistema nunca for reiniciado, o ciclo nunca é interrompido".
Em última análise, o ambiente da exploração amplifica ou suprime a CRS. Portanto, a gestão da ventilação, da densidade de animais e do design do fluxo de ar não é apenas uma questão de conforto, mas uma estratégia de controlo de doenças.
Clique aqui para ver o webinar gravado.
7. A vacinação pode prevenir o CRS?
Sim, mas não sozinha. Esta foi a mensagem clara tanto de Cano como de Segalés. Cano afirmou: “A vacinação é uma ferramenta, não um truque de magia”. Não se pode utilizar a vacinação para resolver problemas de má gestão ou de um fluxo de produção deficiente. Ambos enfatizaram que as vacinas são essenciais, principalmente contra agentes virais primários como o VSRPR, o VIA e o Mycoplasma hyopneumoniae, mas a sua eficácia depende de três factores-chave:
- Saber o que está a circular: Antes de elaborar um programa de vacinação, é essencial saber quais os agentes patogénicos presentes, como se comportam no seu fluxo de produção específico e qual a imunidade que já existe na exploração. Segalés alertou contra os "programas de vacinação em massa que não receberam um relatório de diagnóstico nos últimos três anos".
- Momento e estratégia: Não se trata apenas do que vacinamos, mas também de quando. Se vacinarmos muito cedo, isso pode interferir com os anticorpos maternos; se vacinarmos muito tarde, o vírus já estará a circular. Cano enfatizou que a vacinação indiscriminada de leitões, sem fluxos separados, acaba muitas vezes por ser mais prejudicial do que benéfica, criando uma falsa sensação de segurança.
- Combinação com o maneio: Este foi talvez o seu ponto mais importante: a vacinação deve ser acompanhada de biossegurança, monitorização e um fluxo de trabalho disciplinado. Cano foi claro: "Se vacinar e depois misturar porcos de diferentes idades e de diferentes caudais, está a desperdiçar todo o trabalho que foi feito." Uma boa estratégia de vacinação é inútil se os porcos estiverem stressados, tiverem uma ventilação inadequada ou forem constantemente expostos a novas fontes de infeção.
E, no que diz respeito às vacinas bacterianas (APP ou Pasteurella), os palestrantes lembraram-nos que elas devem ser usadas seletivamente e somente após a confirmação da sua relevância na exploração, através da avaliação das lesões e de testes laboratoriais.
Em resumo: A vacinação pode reduzir significativamente o impacto da PCR, mas apenas quando baseada no diagnóstico, administrada no momento certo e faz parte de uma estratégia de controlo mais ampla. Como disse Segalés, "As vacinas fazem parte da orquestra, mas não tocam sozinhas".
Redação 333





