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Equipamentos transdérmicos na imunização contra o PRRSv (2/2)

A tecnologia sem agulha melhora a dispersão das vacinas no tecido.

2ª feira 28 Novembro 2016 (há 3 anos 17 dias)
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Nesta segunda parte da série sobre vacinação transdérmica, vamo-nos centrar na resposta vacinal e, especialmente, na da vacina do vírus do Sindroma Reprodutivo e Respiratório Suíno (PRRSv). Devido a que as infecções por PRRSv, como a maioria das infecções víricas, são o resultado da infecção da mucosa do tracto respiratório, uma boa resposta imunitária da mucosa ajudará a prevenir futuras infecções. Há dois tipos de técnicas que potenciam esta resposta: a administração na própria mucosa e a transdérmica. Em ambos casos, o adjuvante que acompanha a vacina é importante para obter a resposta desejada. Com o uso de um dispositivo transdérmico (TD), há uma maior disperssão da vacina, que afecta a resposta imunitária ao antigene. A administração tradicional com agulhas implica a formação de um bolo no tecido contíguo ao local da injecção. A tecnologia sem agulha melhora a dispersão das vacinas no tecido (figura 1).

 

La tecnología sin aguja mejora la dispersión de las vacunas en el tejido
La tecnología sin aguja mejora la dispersión de las vacunas en el tejido

Figura 1: Distribuição de azul de metileno na pele e tecido subcutâneo após a injecção com um dispositivo sem agulha. A distribuição variará de acordo com o tipo de dispositivo, o local da injecção, a espessura da pele, a viscosidade do líquido e a pressão.
Publicado com a autorização de Reed Business.

 

O jacto de fluido entra no tecido seguindo o caminho com menos resistência, o que resulta numa ampla dispersão da vacina em forma de teia de aranha. A menor força durante a fase de dispersão permite que o fluido se propague pelo tecido. Acredita-se que esta maior dispersão da vacina aumenta a exposição às células apresentadoras de antigene, o que implica uma melhoria da resposta imunitária. A via transdérmica não afecta o componente antigénico. Em teoria, a saída da vacina pela estreita passagem da agulha poderá danificar o componente antigénico, devido a roturas ou degradação, alterando a sua antigenicidade. A vacinação TD aumenta a resposta imunitária em comparação com a tradicional com agulha. Isto inclui uma melhoria na resposta dos anticorpos e na celular, que é antigene-dependente. Foram realizados mais de 40 estudos com vacinas TD em suínos e os resultados indicam uma resposta equivalente ou melhor com TD do que com agulha por via intramuscular. Não há estudos que indiquem uma resposta pior ao ser utilizada a TD.

Desde a revisão que se fez em 2008, tem havido várias novidades com os dispositivos TD relativamente às vacinas cpntra o PRRSv. Na referida revisão, havia três estudos que demostravam que a vacinação TD era tão efectiva como a de injecção com agulha. Actualmente, na Europa, há duas vacinas autorizadas para o PRRSv, que utilizam os seus próprios dispositivos TD.

Há dois artigos que comparam a administração intramuscular com agulha (IM) com a TD, de vacinas contra o PRRSv e indicam uma resposta imunitária similar (Martelli, P, et al. 2007; 2009). O que é mais importante é que TD deu uma protecção parecida contra uma estirpe heteróloga de PRRSv vacinando com a mesma quantidade de antigene mas com 1/10 do volume. Além disso, houve uma redução na tosse e no abatimento nos porcos vacinados via TD relativamente aos IM após um desafio com PRRSv (Martelli, P, et al. 2009). Uma publicação numa revista não indexada também indicou uma protecção cruzada e uma maior duração da imunidade após um desafio às 24 semanas de idade nos animais vacinados via TD em comparação com os vacinados via IM. Novas vacinas experimentais que utilizam ADN de PRRSv administradas mediante dispositivos TD também  demonstraram protecção efectiva (Suradhat, S., 2016).

Em resumo, a vacinação TD contra o PRRSv tem uma eficácia similar ou melhorada utilizando 1/10 do volume de uma vacina IM MLV PRRSv. A vacinação TD é um método efectivo e reproduzível para dar protecção contra o PRRSv.

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