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Caso clínico: Doença de Talfan

3 comentários

As desordens neurológicas podem trazer importantes problemas nas explorações

6 Dezembro 2004
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Descrição da Exploração



O caso deste mês apareceu numa exploração de ciclo fechado de 250 porcas localizada na Bretanha francesa.
A exploração tem um maneio em bandas de 28 dias. Areposição de reprodutores é externa e a recolha de sémen realiza-se na própria exploração. A empresa fabrica a sua própria alimentação.

Distribuição da exploração:

Estatuto sanitário

A exploração é indemne para Aujeszky e com antecedentes de PRRS e PMWS.

O plano vacinal que se aplica é o seguinte:

Porcas
Aujeszky
Influenza
Parvovirose
Mal Rubro
Colibacilose neonatal
Rinite atrófica
Leitões
Micoplasma
Aujeszky



Aparecimento do caso




Programa-se uma visita dias mais tarde, período durante o qual se envia um segundo leitão para o laboratório.

Resultados dos primeiros exames

O último leitão enviado para o laboratório apresenta os mesmos sintomas e lesões macroscópicas de meningite.

Conhecidos os resultados do exame, as análises bacteriológicas não dão nenhum resultado ao nível das meninges, líquido cefaloraquídeo, gânglios mesentéricos e articulações. Tampouco se observa a presença de Streptococcus suis nem Haemophilus parasuis.

Recolhem-se amostras de cérebro e de medula espinal para realizar uma histologia.

Os sintomas e lesões observados fazem-te suspeitar de alguma doença em particular?
Que factores deveriam vigiar-se com vista à próxima visita?




Visita à exploração e primeiras medidas tomadas



Gestação e lactação
Normal, não se observam problemas reprodutivos (90% de fecundidade), sem abortos. O número de leitões desmamados por porca (>11) está a aumentar. O aspecto das porcas e dos leitões em lactação é bom, não se observam sintomas.
Post-desmame
  • Boa manutenção, slat integral.
  • Alimento de primeira idade suplementado com colistina e de segunda idade "branco".
  • Água tratada com peróxidos: os testes realizados com tiras reactivas mostra que a dose é muito baixa.
  • Grupos de 28 a 30 leitões por parque (densidade um pouco elevada).
  • Habitualmente não se separam as ninhadas ao desmame, ainda que possa ocorrer algumas vezes.
  • O Suinicultor assinala a presença de diarreas semelhantes à colobacilose na transição.
  • Nas salas onde se alojam os leitões desmamados desde há 5 semanas aparecem 6 casos "neurológicos" dos quais 3 dentro do mesmo parque. Entre os casos, por exemplo, observa-se um leitão com bom aspecto que apresenta paresia da parte posterior.
  • O aspecto do alimento é normal, não houve alteração do fornecedor de premix.
  • Não se realizou nenhum tratamento dos animais nem tampouco nenhum tratamento insecticida ou raticida nos locais.
Engorda
  • O Suinicultor não é capaz de encontrar os animais da anterior banda que apresentaram sintomas já que não há forma de os distinguir dos restantes.
  • Observa-se a presença de tosse em alguns animais de mais de 80 kg.
  • Não há mortalidade inusual, nem coxeiras nem deixam de comer.
  • Os problemas de atrasos de crescimento diminuíram bastante.
Enfermaria
  • 3 animais recuperam-se, um deles apresentava ainda problemas de apoio sobre a parte posterior.
  • A necropsia realizada a um animal morto apresenta lesões de enterite colibacilar (devida à sua debilidade inicial?).

Medidas tomadas à espera dos resultados do laboratório

  • O Suinicultor isola os animais afectados e o veterinário propõe incluir na água de bebida vitamina E e selénio para melhorar a resposta imunitária.
  • Ainda que em principio não se pense numa infecção bacteriana como causa dos sintomas neurológicos, a injecção com ampicilina e colistina junto com um anti-inflamatório no primeiro dia pode ter sido útil para aliviar os animais e prevenir possíveis infecções em animais débeis.
Nesta fase, qual será o teu diagnóstico?
Realizarias alguns exames complementares? Quais?




Resultados definitivos e diagnóstico




Resultados das análises histológicas:

Medula espinal: poliomielite não supurativa
Cérebro: encefalite não supurativa com manguitos perivasculares e focos de gliose
Imagens: Serviço de histopatologia do E.N.V.N.

A histologia conclui que existem lesões de poliomielite e encefalopatia compatíveis com a hipótese viral tipo Talfan.

Diagnóstico

Problemas neurológicos de origem vírica provavelmente de tipo Enterovirus Talfan.

Visto o contexto económico desfavorável e a curta duração do episódio patológico, decidiu-se não investir em análises virológicas para confirmar definitivamente o diagnóstico.



Medidas tomadas e evolução do caso




Medidas tomadas

  • Isolamento dos animais doentes.
  • Eliminação dos animais com sequelas.
  • Dupla desinfecção: primeiro com glutaraldeído + amónios quaternários que o Suinicultor utiliza habitualmente e depois com trocloseno para ter uma segunda acção viricida.
  • Localização das porcas com risco se o fenómeno continua.

    Recomenda-se um trabalho mais profundo para melhorar as normas zootécnicas (para a prevenção da colibacilose).

    Evolução do caso

    Quinze dias depois da visita à exploração não se observaram novos casos neurológicos. Por contra, os casos de colibacilose tornaram-se mais frequentes.





    Comentários



    Aparecimento do caso

    Numa exploração de ciclo fechado de 250 porcas situada na Bretanha francesa o Suinicultor observa a presença de desordens neurológicas de tipo paresia da parte posterior em leitões desmamados. Acostumado à presença de casos de meningite estreptocócica e devido ao baixo número de casos e à não presença de mortalidade, o Suinicultor não reagiu com rapidez. Só a estranheza suscitada pelo comportamento dos animais o fez levar a analisar um dos animais.

    Em princípio, o aparecimento das desordens não parece ser devida a um fenómeno desestabilizante dentro da exploração (entrada de primíparas, sintomas que fizeram pensar num surto concomitante de PRRS).

    Visita à exploração

    Após os resultados da primeira autópsia o veterinário descartou em princípio que se tratava de uma infecção bacteriana (ausência de lesões, sem isolamento).

    Por outro lado, a ausência de patologia reprodutiva (principalmente abortos), de mortalidade de leitões ou de sinais nervosos nas mães, assim como a presença de poucos problemas respiratórios na engorda e o bom estado de saúde dos cães da exploração e dos leitões doentes eliminou a hipótese da presença de Aujeszky, doença de presença muito pouco provável na região onde se encontra a exploração.

    A ausência de produtos potencialmente tóxicos, o escasso número de animais afectados, a elevada hipertermia e os sintomas tampouco fizeram pensar numa intoxicação.

    A influência de micotoxinas parecia também pouco provável (carência de sintomas nos leitões mais jovens, poucas descrições de micotoxinas com efeito neurotóxico em porcos).

    Após estas hipóteses o veterinário colocou a possibilidade de uma falta de vitamina E-selénio ou síndroma de stress devido à forma de andar rígida de alguns dos animais, a hipertermia podia explicar-se, mas não havia morte cardíaca nem lesões.

    Só restava a hipótese viral. ¿Uma forma nervosa do PRRS? Mas além de ser rara, parecia assombroso que não houvesse lesões respiratórias associadas.

    Finalmente, a forma de andar dos porcos, a baixa mortalidade e o restabelecimento da maioria dos animais fez pensar na doença de Talfan, ainda que a idade do aparecimento dos sintomas era um pouco tardia em relação ao descrito na bibliografia. O facto de ter vários casos num mesmo parque fez pensar numa menor protecção conferida por algumas mães ou a um contágio por proximidade. O veterinário excluiu a forma Teschen que à priori não está presente em França e que causa muita mortalidade.

    Medidas tomadas

    O Suinicultor já tinha tomado a medida mais acertada, ou seja, o isolamento dos leitões afectados na enfermaria. Não obstante, tinha voltado a alojar na engorda os primeiros animais afectados e já curados. A utilização de vitamina E e selénio tinha por objecto não deixar de lado um possível erro de premix e de "dopar" o sistema imunitário e muscular para evitar novos casos. A utilização de ampicilina-colistina-dexametasona limita as infecções posteriores e alivia a inflamação das meninges. O veterinário comenta também a necessidade de reforçar a desinfecção já que nos encontramos ante um virus muito resistente.

    Evolução do caso

    O problema regrediu muito rapidamente, limitando-se a 3 bandas, ou seja, 9 semanas. Isto pode explicar-se pela forte imunidade que se estabelece no início do contacto com este tipo de virus. Os Suinicultores que não tomam precauções particulares entre os diferentes sítios da exploração é provável que tenham porcas eventualmente não imunizadas que tenham estado em contacto com o agente patógeno presente em grande quantidade devido à sua expressão clínica. Em paralelo existe um retorno de colibacilose típica devido à transição alimentar. Tampouco é improvável que os esforços realizados para suprimir o síndroma do atraso de crescimento, utilizando em particular a limitação das misturas de animais em todas as fases, tenham causado uma imunização mais lenta dos porcos frente a outros gérmens.

Comentários ao artigo

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27-Fev-2015romeuromeuquau o diagnostico para a doença de talfan?
o leitão parece que ta tonto,com a cordenação motora desequilibrada.
24-Out-2017 roberto_florentExiste remédio para tratamento da Doença de Teschen
30-Jan-2018 ccguima54Qual o tramemto da doença de Teschen e Talfan?
Se existe tratamento, qual o remédio?
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