No artigo anterior foram analisadas as recomendações alimentares para atingir os objetivos da DanBred na primeira cobrição, enfatizando a importância de reduzir a ingestão de proteínas para controlar o aumento de peso e garantir o desenvolvimento de reservas de gordura dorsal.
Alimentação na gestação: Qual é o padrão adequado para primípara cobertas com o peso e gordura dorsal ótimos?
As porcas jovens têm uma elevada capacidade de crescimento se houver proteína suficiente disponível. O objetivo durante a gestação é garantir o rendimento reprodutivo ideal sem um aumento excessivo de peso. Se receberem níveis elevados de proteína durante a gestação, crescerão rapidamente e ficarão pesadas e magras.

É importante que as porcas não ganhem peso excessivo a meio da gestação. Qualquer ingestão adicional de alimento, nesta fase, resultará num aumento de peso extra, com consequências negativas associadas à condição corporal excessiva, sem qualquer efeito positivo no seu rendimento reprodutivo.
Qual o efeito de uma dieta baixa em proteína durante a gestaçaõ, no rendimento reprodutivo das porcas?
Diversos estudos utilizando dietas com baixo teor proteico durante a gestação demonstraram que estas não afetam negativamente o tamanho da ninhada nem o peso dos leitões à nascença.
Em relação ao último mês antes do parto, o aumento da quantidade de ração é uma prática comum para melhorar o peso dos leitões à nascença e a futura produção de leite.
Os resultados mais recentes na Dinamarca, com porcas em boas condições corporais, mostraram que o aumento da ingestão diária de ração de 2,8 para 3,5 kg apenas aumentou o peso da porca e, surpreendentemente, reduziu o peso dos leitões ao nascimento em 30 g, tanto nas nulíparas como nas porcas adultas. Além disso, os nossos estudos demonstraram que os níveis de proteína entre os dias 84 e 104 não influenciaram a produção de colostro.

Figura 1. Bump feeding (del dia 84 ao dia 112 de gestação). Adaptado de Bruun et al., 2024: Landbrugsinfo. Publicação nº 1206.
Perante estes resultados, muitas explorações estão a adoptar uma curva de alimentação plana, mantendo o mesmo nível de ração desde as quatro semanas após a cobrição até ao início do período de transição (sete a dez dias antes do parto). Isto não só melhora o desempenho, como também simplifica e facilita o maneio da alimentação.
O que acontece se as porcas atuais são muito pesadas?
Em primeiro lugar, deve-se verificar a espessura da gordura dorsal destas porcas. Provavelmente estão tão grandes porque receberam demasiada proteína, e o seu peso deve-se ao desenvolvimento significativo de massa muscular magra. A perda significativa de peso associada à perda de massa muscular tem um efeito muito negativo na longevidade das porcas. Se tiver porcas pesadas e magras, a melhor opção é enviá-las para o abate.
Não existe uma solução rápida para as porcas pesadas e magras, mas se queremos melhorar a longevidade da nossa exploração, precisamos de parar, refletir e fazer mudanças significativas, começando pelas porcas jovens, modificando a forma como são criadas e alimentadas.
O que acontece no periodo de transição? Como é afetado o rendimento das porcas?
Estes 7 a 10 dias que antecedem o parto são cruciais para o rendimento e saúde da porca e da sua ninhada. Vários fatores precisam de ser tidos em consideração.
Produção de colostro e leite: 7 a 10 dias antes do parto, a porca prepara o úbere e começa a produzir colostro, o que aumenta as suas necessidades proteicas. Se a porca mantiver uma dieta de gestação com baixo teor proteico durante este período crítico, a sua produção de colostro, e principalmente a sua capacidade de produção de leite, será afetada.
Tabela 1. A produção de leite depende do nível de alimentação antes do início da lactação
| Nível de alimentação desde o dia 108 ao parto, kg/d | 1,8 | 2,4 | 3,1 | 3,7 | 4,3 | 5,0 |
| Produção de leite, kg/d | 11,7b | 12,8ab | 13,2ab | 14,2a | 13,6a | 13,7a |
| Peso ao desmame da ninhada, kg | 82,4b | 94,6a | 93,3a | 98,4a | 98,3a | 98,5a |
| Tamanho da ninhada ao desmame, nº | 12,8c | 13,7b | 13,7b | 14,2a | 14,0a | 13,7b |
Referência: Bruun et al (2023): Journal of Animal Science. 101
Foi estabelecido que a porca deve receber um mínimo de 22 g/dia de lisina digestível ileal padronizada (IDI) durante esta transição para atingir o seu potencial máximo de produção de leite.
Energia para o parto: Ninhadas maiores significam períodos de parto mais longos, e a porca precisa de muita energia para o suportar. Existe uma forte correlação entre o tempo decorrido desde a última refeição até ao início do parto e a sua duração, sobretudo tendo em conta que partos mais longos tendem a resultar num maior número de leitões nados-mortos.

Figura 2. A relação entre o tempo decorrido desde a última refeição até ao início do parto e a duração do parto. Na Experiência 1, as porcas receberam duas rações por dia, enquanto que nas Experiências 2 a 7, as porcas receberam três rações por dia. Os círculos de cores diferentes indicam as porcas individuais estudadas nas sete experiências anteriores, enquanto a linha contínua indica os valores previstos. Feyera et al. (2018): Journal of Animal Science. 96:2320–2331.
Para garantir que a porca tem energia suficiente para o parto, estabeleceu-se um nível de alimentação ideal de aproximadamente 3,7 kg/dia. É fundamental que a porca se alimente várias vezes ao dia, minimizando o tempo entre a última refeição e o início do parto.
A quantidade de ração fornecida às porcas prestes a parir nunca deve ser reduzida para garantir que têm energia suficiente e para promover um parto rápido.
Controlo da obstipação: As porcas com obstipação apresentam períodos de parto mais longos, com maior risco de nados-mortos, mortalidade pré-desmame e outras complicações. Por isso, é importante verificar regularmente a qualidade das fezes antes do parto e tomar medidas preventivas, como a suplementação de fibra, se necessário. As fibras ajudam a prevenir a obstipação e também fornecem energia à porca.
Controlo do nível de gordura dorsal: uma ferramenta para avaliar o sucesso da estratégia alimentar da sua exploração.
O objetivo é avaliar se a estratégia alimentar implementada na sua exploração está a resultar. Não foi concebida para monitorizar ou medir cada animal individualmente; não é, portanto, necessário medir a espessura de gordura dorsal de cada animal, mas apenas de uma amostra do grupo.
- A medição da espessura de gordura dorsal nos animais quando entram na maternidade fornece informação sobre a qualidade da estratégia de alimentação durante a gestação.
- A medição da espessura de gordura dorsal ao desmame fornece informações muito úteis sobre a adequação da estratégia de alimentação durante a lactação.
É importante considerar não só os valores específicos de gordura dorsal, mas também a variação dentro da população.
O maneio das primíparas durante a sua primeira lactação é chave para a sua longevidade
Objectivo: Evitar a sobrealimentação da primípara, pois pode levá-la a deixar de comer, incentivando-a, no entanto, a comer o máximo possível. Se ela não estiver a comer o suficiente, é essencial identificar a causa do problema: Será que está com febre? A água está muito quente?
Para as porcas primíparas, amamentar ninhadas grandes é benéfico, mas requer uma monitorização constante. Se uma porca primípara com boa produção de leite estiver magra e a perder peso por não se alimentar o suficiente para satisfazer as suas necessidades, nunca deve ser utilizada como mãe adoptiva. Se uma porca jovem perder muito peso, deve ser desmamada antes que o seu peso desça drasticamente para garantir uma recuperação adequada e evitar que a sua longevidade seja comprometida pela perda excessiva de peso.
A variabilidade na longevidade que observamos nas diferentes explorações que trabalham com a genética DanBred demonstra a importância do maneio, incluindo a alimentação, para alcançar o melhor desempenho ao longo da vida das porcas DanBred.
Mais informação: Manual de alimentação de DanBred


