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A importância de proteínas e aminoácidos na dieta após o desmame

Há uma tendência generalizada em toda a Europa para diminuir o nível de proteína das rações, acompanhada de uma adequada suplementação de aminoácidos industriais.

2ª feira 2 Janeiro 2017 (há 2 anos 8 meses 20 dias)
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O desmame é uma das etapas mais criticas na vida do leitão, durante a qual enfrentará diversas dificuldades que deverá superar: separação da mãe, mistura das ninhadas, mudanças de ambiente, lutas pela criação de novas hierarquias, exposição a novos agentes patogénicos… e também uma alteração brusca na dieta, que passa de líquida para sólida e com um teor em proteína muito superior ao do leite materno. Esta mudança na alimentação será um grande desafio para o sistema digestivo ainda imaturo do leitão, especialmente se a ração que ingere tiver um elevado teor de proteína. Quando isto ocorre, o excesso de proteína fermenta no intestino grosso e provoca uma disbiose e proliferação de bactérias patogénicas, especialmente E. coli, causadoras de diarreias no leitão e de atrasos no crescimento. Portanto, formular com matérias primas altamente digestiveis, minimizar o teor de proteína na dieta e suplementar com aminoácidos, ajudará a evitar que os agentes patogénicos colonizem o intestino, a diminuir o risco de diarreias e facilitará o desenvolvimento e crescimento do leitão.

Mas, ao diminuir o nível de proteína das rações, deve assegurar-se que o animal recebe todos os aminoácidos necessários e que mantêm um certo equilibrio entre eles, de modo a que nem o crescimento nem os índices produtivos sejam afetados. Assim, ao formular as dietas aplica-se o conceito de proteína ideal, definido como o perfil de aminoácidos que maximiza a retenção de azoto (quer dizer, de músculo) e que cobre as necessidades fisiológicas e de crescimento do animal de maneira a que o animal receba exatamente o que necessita. O perfil de proteína ideal mantém-se constante durante a mesma fase de crescimento de forma a que uma vez conhecida a necessidade de lisina do animal, o qual varia em função da genética entre outras razões, devem ser aplicados os rácios corretos para o resto dos aminoácidos.

Os aminoácidos são classificados do seguinte modo: os não-essenciais são aqueles que o animal pode sintetizar, os semi-essenciais são aqueles que o animal pode sintetizar mas não em quantidade suficiente em determinadas circunstâncias e os essenciais são aqueles que o animal não pode sintetizar (ou que o faz em quantidade insuficiente) e que devemos fornecer através da dieta. Neste último caso, é importante controlar o seu fornecimento, especialmente ao reduzir o nível de proteína.

Sabemos que a lisina é o primeiro aminoácido limitante para o crescimento nas dietas para suínos, enquanto que os outros aminoácidos essenciais são sempre expressos em percentagem em relação à lisina.

treonina, segundo aminoácido limitante, forma parte das mucinas que revestem o intestino, pelo que desempenha um papel relevante na integridade da mucosa intestinal. É também importante para o sistema imunitário uma vez que está relacionada com a síntese de imunoglobulinas. Em terceiro lugar são limitantes os aminoácidos sulfurados (metionina e cistina) e em quarto é o triptófano. Este último está relacionado com diferentes funções biológicas, tais como a resposta imunitária (forma parte da proteína de fase aguda), regula o comportamento do animal, facilita a síntese de proteína e regula a ingestão voluntária de ração. A valina, quinto aminoácido limitante, é fundamental para a deposição de proteína e para o crescimento ótimo do animal. É considerado um aminoácido ramificado junto com a isoleucina e a leucina e existem certas interações entre estes três aminoácidos porque partilham vias metabólicas. Por conseguinte, é importante conhecer bem as necessidades de todos eles. As figuras 1,2 e 3, mostram curvas de regressão de crescimento e índice de conversão de leitões, em função de diferentes valores de rácios triptófano:lisina e valina:lisina na dieta, segundo trabalhos científicos publicados por diversos autores. Também, existem cada vez mais trabalhos e investigações sobre quais são as necessidades e funções do resto dos aminoácidos essenciais (isoleucina, leucina, histidina e fenilalanina).

Efeito do rácio triptófano/lisina sobre o crescimento em leitões

Efeito do rácio triptófano/lisina sobre o crescimento em leitões

Gráfico 1. Efeito do rácio triptófano/lisina sobre o crescimento em leitões.

Efeito do rácio valina/lisina sobre o crescimento em leitões

Efeito do rácio valina/lisina sobre o crescimento em leitões

Gráfico 2. Efeito do rácio valina/lisina sobre o crescimento em leitões.

Resposta do rácio valina/lisina sobre o índice de conversão em leitões

Resposta do rácio valina/lisina sobre o índice de conversão em leitões

Gráfico 3. Resposta do rácio valina/lisina sobre o índice de conversão em leitões.

Conclusões

Há uma tendência generalizada em toda a Europa para diminuir o nível de proteína das rações, acompanhada de uma adequada suplementação de aminoácidos industriais que garante que as necessidades dos animais ficam cobertas e que se respeita o perfil de proteína ideal. Desta forma, mantém-se o crescimento do leitão e preservamos a saúde intestinal. Hoje, a disponibilidade de aminoácidos industriais (L-Lys, L-Thr, DL-Met, L-Trp y L-Val) e o maior conhecimento das necessidades de aminoácidos permite ir um passo mais à frente e formular com base em aminoácidos essenciais respeitando o perfil de proteína ideal e sem ter em conta o nível de proteína da dieta.

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