A cotação dos porcos desce com o mercado na expectativa

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Após 8 semanas consecutivas de manutenção de preço, a tão temida e já aguardada descida de Setembro chegou. A redução da cotação foi de 2 cêntimos na Bolsa do Porco

6ª feira 14 Setembro 2018 (há 2 meses 3 dias)
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14 de Setembro de 2018

Após 8 semanas consecutivas de manutenção de preço, a tão temida e aguardada descida de Setembro chegou. A redução da cotação foi de 2 cêntimos na Bolsa do Porco, o que denota que ainda não há grande excesso de porcos para abate e que os seus pesos continuam dentro do normal. Em todo o caso, a partir de agora a tendência é para que os pesos subam, os consumos desçam e a oferta sazonal de porcos aumente. Ciclicamente, todos os anos é isto que acontece e 2018 não fugirá à regra.

Todavia, os produtores estão com bastante receio do que mercado de Outono possa trazer. Na Europa o efectivo de suínos é superior ao do ano transacto e, evidentemente, a oferta de porcos para abate irá ser maior do que a do ano passado. As exportações europeias do 1º semestre de 2018 para países terceiros, apesar da redução de vendas para a China, estão ao mesmo nível de 2017 e, com estes dados, colocam-se duas possibilidades: ou aumentam as vendas de carne de porco dentro da U.E., ou aumentam substancialmente as exportações para países terceiros de forma a que as cotações não se vejam demasiado penalizadas com descidas fortes.

Nesta quinzena a Alemanha deu grande queda, no que foi secundada pela Holanda e pela Bélgica (o normal, portanto), mas os restantes países, como não subiram muito quando a Alemanha subiu, também não foram atrás desta significativa descida.

Por outro lado, o mercado está bastante expectante para ver o que se vai passar na China (e nos restantes países asiáticos vizinhos daquele gigante) no que diz respeito ao aparecimento de focos de Peste Suína Africana e do comportamento dos consumidores perante este problema de sanidade animal.

Há grande preocupação nas autoridades chinesas para tentar conter ao máximo a disseminação da doença e há grande preocupação nas autoridades mundiais não apenas na contenção da Peste dentro das fronteiras chinesas como da não transmissão da doença aos países vizinhos (Japão, Coreia do Sul, Vietname, Tailândia, etc).

A China tem metade do efectivo suinícola mundial (cerca de 500 milhões de cabeças) e neste momento só estão confirmados 6 focos de Peste que envolvem cerca de 10 mil animais. Uma gota de água no oceano da produção suinícola mundial.

Em todo o caso, o comportamento do consumidor chinês vai ditar e comportamento do mercado da carne, sendo que o consumo de carne de porco da U.E. poderá ter preferência no mercado chinês. Aguardemos, portanto.

Outro dado interessante, e a ter em conta dependendo da evolução da Peste na China, é a eventual descida do preço das matérias-primas devido à eventual redução do consumo de rações na China por implicação de abates de animais com Peste. A esperar para ver!

Quanto aos restantes mercados europeus do porco:

Em Espanha, a cotação desceu 0,021€/kg PV (-0,028€/kg carcaça) fixando-se a cotação em 1,225€/kg (1,633€/kg carcaça). Os pesos estão nos 82kg carcaça, ou seja, cerca de 600g acima dos pesos do ano passado por esta altura. Entretanto, dia 11 de Setembro foi feriado na Catalunha e teremos que ver que implicações trará na oferta e nos pesos dos porcos este dia a menos nos abates.

Na Alemanha, a cotação desceu e com bastante significado. A descida na quinzena foi de 0,07€/kg carcaça, tendo-se ficado a cotação em 1,48€/kg carcaça. Os suinicultores, prevendo que a cotação iria descer, começaram a oferecer muito mais porcos para abate e os matadouros valeram-se disso para fazer descer a cotação e tentar encontrar margem para a venda da carne. O peso médio subiu 100g para os 96kg peso carcaça mas está 300g abaixo do peso do ano passado na mesma altura.

A Holanda desceu 0,06€/kg carcaça a sua cotação para 1,46€/kg carcaça. Os matadouros fizeram grande pressão no mercado ao terem reduzido fortemente os seus pedidos de porcos para abate, obrigando a que a cotação descesse. Os holandeses estão com boas perspectivas de aumentar vendas para a China devido ao aparecimento da Peste naquele país já que referem que as autoridades chinesas estão a aplicar grandes restrições ao trânsito animal e de produtos de carne de porco.

A Bélgica desceu a sua cotação 0,07€/kg PV passando a cotação para 1,00€/kg PV.

Na Dinamarca a cotação manteve-se em 1,17€/kg. Os dinamarqueses referem que o mercado está estabilizado na compra de peças, se bem que a partir de agora se comprem as peças de Outono/Inverno que são distintas das que se comprar na Primavera/Verão.

Em França a cotação subiu 0,009€/kg carcaça nesta quinzena, fixando a cotação em 1,296€/kg carcaça. Os pesos baixaram 50 gr para os 93,4Kg. Nestas primeiras semanas de Setembro, o mercado francês tem as promoções de regresso dos consumidores a França após férias bem como o regresso dos alunos às escolas. Ambos os factores contribuem para um aumento do consumo de carne de porco naquele país e isso afecta positivamente o mercado interno.

O início de Setembro foi calmo no que diz respeito a variações de cotação em Portugal e numa boa parte dos países da U.E.. Teremos que esperar para ver o que nos reserva a segunda metade do mês, quer em termos de mercado interno quer em termos de mercado de países terceiros e, principalmente, como será a evolução da Peste

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