O Grupo de Investigação em Saúde Animal e Biotecnologia do Instituto de Investigação de Recursos de Caça (IREC – CSIC, UCLM, JCCM), em conjunto com o consórcio europeu ENETWILD, lançou o primeiro mapa europeu de densidade de javalis em alta resolução. Este avanço científico, publicado em 2024, representa um marco na gestão das populações de javalis e no controlo de doenças como a Peste Suína Africana (PSA).
Até há pouco tempo, a gestão deste problema enfrentava um obstáculo técnico: os dados sobre a abundância de javalis na Europa eram fragmentados, uma vez que cada país utilizava métodos diferentes para contabilizar as suas populações. Esta falta de harmonização impedia os cientistas e os decisores políticos de terem uma visão abrangente e precisa para agir de forma coordenada, eficiente e eficaz contra as epidemias.

Graças a uma cooperação internacional sem precedentes, foi criado um mapa da densidade de javalis à escala europeia com uma resolução espacial de 2×2 km, proporcionando uma visão precisa e comparativa das populações de javalis em toda a Europa. Este mapa é uma ferramenta essencial para a vigilância, a modelação de doenças e o planeamento de medidas de controlo..
O resultado, que já está disponível como pré-print e que será publicado na European Journal of Wildlife Research, indica uma população total de javalis na Europa entre 13,5 e 19,6 milhões de indivíduos antes da época de caça anual na principal área de distribuição da espécie, antes do aparecimento da Peste Suína Africana. A população estimada de javalis em Espanha ultrapassa os 2,4 milhões de indivíduos, existindo mais de 200 mil na Catalunha.
O mapa revela que, apesar dos esforços de caça, as populações de javalis na Europa continuaram a crescer, especialmente no "corredor mediterrânico", de alta densidade, que se estende desde o sul de França e Catalunha até ao sudeste de Espanha. Estas áreas coincidem com elevadas concentrações de criação de suínos e importantes rotas de transporte, aumentando o risco de propagação da Peste Suína Africana (PSA).
Este avanço científico não só melhora a gestão da fauna selvagem, como também proporciona um sistema de monitorização de doenças com aplicações directas em modelos epidemiológicos e análises de risco, representando um passo importante na cooperação científica para enfrentar os desafios biológicos transnacionais.
23 de Dezembro de 2025/ IREC/ Espanha.
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