Prolapsos rectais na engorda

Os prolapsos rectais podem ser agrupar-se em dois grandes grupos: os que causam irritação (colite) e os que aumentam a pressão

2ª feira 8 Maio 2006 (há 12 anos 6 meses 5 dias)
gosto

Descrição da Exploração



Trata-se de uma exploração com cerca de 750 porcas, produtora de leitões de 9 semanas de vida. A reposição é externa 2 ou 3 vezes por ano são compradas primíparas de várias idades que se alojam numa engorda próxima.

Esta engorda faz a função de quarentena, adaptação e recria.

Perfil sanitário da exploração:

  • A exploração é positiva a PRRS, ADV, Pneumonia Enzoótica, PMWS e Sarna.
  • ADV em avançada fase de erradicação. Prevalência inferior a 2%.

Os leitões são engordados numa rede de engordas externas integradas. O tipo de engordas é muito heterogéneo. Há novas e velhas, explorações de porcas reformadas, pequenas (400) e não tão pequenas (1200).

O único ponto em comum, salvo num caso, é que a atenção é pouca.

A exploração e as engordas associadas estão situados numa zona de alta densidade suína, com invernos frios e húmidos e verões muito quentes.


À pirâmide de produção é dada ração de fábricas diferentes.

A incidência de prolapsos rectais nas engordas é muito elevada; entre 5% e 10%.

Na engorda das primíparas a incidência pode-se considerar normal, só aparece algum caso de forma esporádica. Os problemas começam a partir das 2 ou 3 semanas após a entrada.





Outras Complicações

As entradas na engorda são complicadas.

Na semana que entram apresentam diarreias, pensa-se que são problemas de colibacilose. No príncipio os animais respondiam muito bem ao tratamento com colistina.

Com o passar do tempo cada vez custa mais a controlar.

Para tentar corrigir o problema medica-se cada vez com mais antibióticos em doses mais elevadas. Alarga-se o uso de óxido de zinco na ração até uma semana depois da entrada na engorda.

O facto de que não se possa controlar a possível colibacilose faz suspeitar que pode haver "alguna coisa" mais, por exemplo uma Salmonella ou uma Brachyspira.

As lesões observadas nas necropsias são pouco significativas. Na maioria das ocasiões são as próprias de um quadro entérico generalizado agudo mas também se puderam observar problemas mais localizados: ileite ou colite.

As amostras recolhidas não são concludentes, os resultados são muito dispares. Em nenhum caso se consegue identificar Salmonella.

Periodicamente na exploração recebe-se um estudo de custos. Neste estudo, entre outras coisas, comparam-se os custos de produção próprios da exploração com os da base de dados da empresa externa que presta o serviço de análise e gestão de custos.

No relatório recebido é referenciado que o índice de conversão nas engordas é pior que a média da base de dados. Os demais parâmetros avaliados são melhores.

ENGORDA
Custo Baixo
Média
Custo Alto
Exploração
Diferença
% Baixas
4,3%
7,8%
11,4%
6,3%
1,5%
Preço ração
0,177
0,186
0,194
0,174
0,012
Índice de conversão
2,48
2,77
3,06
2,91
-0,14
Cobertura efectivo
103%
95%
87%
103%
Índice de crescimento
0,651
0,597
0,542
0,625
0,028
Custos fixos por porco e ano
24,8
32,4
39,9
28,9
3,5


Logicamente ao ter problemas de diarreia no arranque, o índice de conversão piora. Ao ter conseguido um índice de conversão igual à média da base de dados, o custo de produção teria sido cerca de 2 € menos por porco, ou seja, uns 32.000 € por ano.


O Nutrólogo


Devido a que toda a problemática que se observa na engorda parece ter relação com o plano de alimentação, decide-se contactar um nutrólogo para que a avalie.

Visitam-se os animais conjuntamente, e no caso de que haja alguma baixa, esta será necropsiada. Neste momento pode-se constatar que o ponto de vista do clínico e do nutrólogo não é exactamente igual. O que para um é um amolecimento esporádico das fezes, para o outro é um problema digestivo generalizado.

Recalculam-se as fórmulas.

Racionaliza-se, de razão não de ração, o uso do óxido de zinco e as demais medicações. Limita-se o emprego de óxido de zinco, no máximo, a 2 semanas após o desmame.

O objectivo prioritário é conseguir uma pronta implantação da flora digestiva, favorecer o seu desenvolvimento e protegê-la.

Como resultado consegue-se:

  • Os leitões ao desmame aumentan o consumo. O óxido de zinco é um potente inibidor do consumo.
  • Os leitões ganham uma semana, podem entrar na engorda com o mesmo peso e uma semana menos de vida.
  • A diarreia à entrada na engorda persiste, se bem que a incidência seja menor. Neste momento, ao realizar as análises dos resultados, estes são conclusivos e aplicando uma medicação pontual selectiva no momento da entrada soluciona-se o problema.
  • A incidência de prolapsos também se corrigiu.
  • O índice de conversão é melhor que a média da base de dados.


Comentários

Generalizando as possíveis etiologias dos prolapsos rectais podem-se agrupar em dois grandes grupos:

  • As que produzem irritação (colite).
    • Diarreias.
    • Micotoxinas.
    • Medicações com macrólidos.
  • As que aumentam a pressão.
    • Densidade elevada.
    • Ambientes frios com animais que se amontoam.
    • Patologia respiratória. A tosse faz aumentar a pressão abdominal.
    • Prisão de ventre. Fornecimento de água demasiado pobre.
    • Tenesmo rectal ou vesical.

No caso de fermentações anormais a incidência é nos dois níveis ao mesmo tempo. Por um lado produz-se uma colite e por outro a formação de gases como produto da fermentação aumenta a pressão.

O óxido de zinco controla as colibaciloses mas como efeitos secundários importantes observa-se que reduz a ingesta e evita o desenvolvimento da flora bacteriana. Se o tratamento se alarga até à semana posterior à entrada na engorda e se fôr cortado de repente, aparecem graves problemas.

Os animais nesta fase já comem muito, ao desaparecer o factor que limita a ingesta o consumo ainda é maior. O aparelho digestivo não é capaz de digerir todo o alimento consumido e produzem-se fermentações.

Ao não ter practicamente flora o primeiro germen que chega coloniza e cresce de maneira descontrolada. É por esta razão que os problemas à entrada eram sempre digestivos, mas ao buscar um agente etiológico os resultados das análises não eram conclusivos.

Animais com uma flora digestiva bem desenvolvida são muito mais resistentes ao aparecimento de problemas, a um novo germen custa-lhe muito mais desestabilizar a população.

As primíparas da engorda da recria não são afectadas já que não estão submetidas aos mesmos tratamentos que o resto dos animais. Quando chegam à engorda, fazem-no com o mínimo de 40 kg de peso consumindo directamente uma ração de crescimento.

Poder avaliar quanto custa um determinado problema indica quanto se pode investir em solucioná-lo.

Cada vez há mais conhecimentos, pelo que cada vez é mais difícil encontrar um sábio. Para poder resolver problemas complexos é necessário dispor de distintas opiniões de uma equipa.

Casos Clínicos

Aujeszky na Engorda05-Jun-2006 há 12 anos 5 meses 8 dias
Erradicação de PRRS de um centro de IA03-Abr-2006 há 12 anos 7 meses 10 dias

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