Influência do maneio alimentar sobre os resultados produtivos

O maneio alimentar pode ter grande influência nos resultados produtivos da exploração. Vê como.

2ª feira 5 Abril 2004 (há 14 anos 2 meses 14 dias)

Descrição da exploração


A exploração, situada no norte de Itália e com instalações velhas, conta com 1900 porcas (LWxLD).

A duração da lactação é de 20 dias e despois do desmame a maioria dos leitões são transferidos para um sítio 2, permanecendo só no sítio 1 as fêmeas de auto-substituição.

As porcas, no final da lactação, transferem-se para a zona de cobrição. Nesta zona alojam-se em jaulas e permanecem até aproximadamente aos 40 dias de gestação. As porcas diagnosticadas como gestantes mediante ecografia transferem-se para os pavilhões de gestação, onde permanecem até à entrada na maternidade. Existem 2 tipos de instalações destinadas às porcas gestantes:

a) box de 8 animais com alimentação automática restringida.
b) box de 28 animais con alimentação ad libitum.

Em Abril de 2003 mudou-se de fornecedor de ração, ao que se compram dois tipos de rações diferentes para porcas gestantes: um com formulação para as porcas alimentadas de forma restringida (GR) e outro para as alimentadas ad libitum (GV).

A exploração é livre de Aujeszky e Sarna, enquanto que é positiva e instável para PRRS.

A seguir mostram-se alguns dados produtivos da exploração:

Fev 02- Jan 03
Jan 03- Maio 03
Indice de partos (%)
82,2
84,8
Partos/porcas/ano
2,41
2,43
Nascidos tot./parto
12,3
12,7
Nascidos vivos/parto
10,9
11,2
Nascidos mortos (%)
8,6
8,7
Mumificados (%)
2,6
3,1
Mortalidade sala parto (%)
15
15,5
Desmamados/parto
9,2
9,4
desmamados/porca/ano
22,1
23,2




Aparecimento do caso


Durante a primavera de 2003, três meses depois da introdução dos dois novos tipos de ração mencionados anteriormente (GR + GV), apareceram alguns problemas na gestação e sobretudo nas salas de parto.

Ao final da gestação, as porcas apresentavam um estado de carnes excessivo e chegavam ao parto com muito pouco apetite.

Na sala de partos observava-se:

  • Pouco apetite antes e depois do parto.
  • Prisão de ventre.
  • Aumento da percentagem de nascidos mortos, menos nascidos totais e nascidos vivos.
  • Diminuição da produção de leite, mastite e muitas tetas secas.
  • Diarreia nos leitões durante os primeiros dias de vida, com baixa mortalidade mas com elevado número de leitões débeis.

Não se observaram efeitos significativos sobre os parâmetros reprodutivos (abortos, repetições, etc.).

Nas porcas alimentadas ad libitum com a ração GV não se observou nenhum problema em particular, nem antes nem depois do parto.

Nesse período não se observaram sintomas clínicos generalizados, nem em reprodutores nem em leitões.



¿Que poderia ser?
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Diagnóstico


Desde o princípio descartou-se uma possível causa infecciosa já que, ainda que a exploração apresentasse uma circulação cíclica de PRRS, os sinais clínicos evidenciados nesse período não faziam pensar num problema viral e/ou bacteriano.

A atenção concentrou-se na análise dos dados relativos à alimentação.

Durante 80 dias as porcas em gestação consumiram 377.620 kg de ração GR. Excluíndo as porcas alimentadas ad libitum e considerando cerca de 1300 porcas gestantes, deduz-se que o consumo médio diário foi de 3,6 kg/porca/dia.

A ração de gestantes GR continha 2.800 kcal / kg de Energía Metabolizável (EM), o que significa que a ingestão de EM era superior às 10.000 kcal/porca/dia.

Analizando os dados sobre uma base anual, a ração que cada porca consumiu por leitão desmamado foi superior a 60 kg, dos quais só 17% era ração de "lactação".

Cada porca consumia demasiada ração e demasiadas calorias de forma que no momento do parto o seu estado de carnes era excessivo provocando dificuldades durante o parto, para ingerir alimentos e para produzir leite.

A causa foi identificada no dosificador volumétrico da ração de gestação GR, já que eram dosificadores velhos que forneciam pequenas quantidades de alimento várias vezes por dia, como consequência, no decurso do dia, repetia-se um pequeno erro muitas vezes (um erro de 1 hectograma x 10 vezes = 1 kg). Além disto, verificou-se a existência de um peso específico diferente entre a ração utilizada anteriormente e a nova, a qual continha também menos energia.

Esta hiperalimentação verificou-se só nas porcas gestantes GR e não nas alimentadas ad libitum com a ração GV, uma ração mais fibrosa, se bem que as porcas alimentadas ad libitum consumiam mais que as restringidas, ingeriam também maior quantidade de fibra e menos calorias, chegando ao parto com um estado de carnes normal.



Medidas tomadas e Resultados


Os dosificadores de ração foram revistos e deu-se maior atenção na gestão da alimentação na fase de gestação.

Obteve-se uma melhoria significativa das porcas antes, durante e depois do parto, dando lugar a níveis de ingesta normais, redução de partos lentos e uma produção de leite normal. Observaram-se também benefícios nos leitões, em particular uma redução dos nascidos mortos e menos problemas durante a lactação.






Comentários

O caso aparece numa exploração situada no norte de Itália onde em Abril de 2003 se mudou de fornecedor de ração para reprodutores.

90 dias após a mudança observou-se o aparecimento de alguns problemas nas porcas, sobretudo nas maternidades: pouco apetite, particularmente nos dias após o parto, prisão de ventre, partos lentos e menor produção de leite. Observou-se também uma pioria dos dados produtivos relacionados com os leitões: aumento de nascidos mortos, pouca viabilidade e menor prolificidade.

Não se observaram sintomas clínicos generalizados em forma activa, apesar que a exploração fosse PRRS positiva não existia nenhuma razão que fizesse pensar que a sintomatologia descrita se pudesse atribuír a esta doença.

Não se observaram problemas na gestação: retornos ao cio e abortos normais.

Analizando o consumo de ração das porcas gestantes, fornecido de forma restringida, calculou-se um consumo de ração de 3,6 kg/porca/dia, com um aporte de mais de 10.000 kcal/porca/dia. As porcas chegavam ao parto sobrealimentadas e excessivamente gordas, com os consequentes problemas na fase do parto e pós-parto.

A causa foi atribuída aos dosificadores de ração volumétricos, os quais forneciam mais ração que o devido. Devia ter-se tido em conta o peso específico diferente entre a ração nova e a velha assim como o menor aporte energético desta última.

Verificou-se o correcto funcionamento dos dosificadores de ração.

Durante o mês de Setembro observou-se uma melhoria de quase todos os parâmetros produtivos tanto das porcas como dos leitões.

Casos Clínicos

Comentários ao artigo

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