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Transporte aéreo a longa distância de PRRSv e Mycoplasma hyopneumoniae

Circundar as explorações com uma vedação de sebes altas reduz o risco de transmissão aerógena.

3ª feira 10 Março 2015 (há 4 anos 7 meses 7 dias)
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Artigo

Long-distance airborne transport of infectious PRRSV and Mycoplasma hyopneumoniae from a swine population infected with multiple 
viral variants. Otake S, Dee S,Corzo C, Oliveira S, Deen J. Veterinary Microbiology 145 (2010) 198–208

 

Resumo do artigo

Que se estuda?

Este estudo foi desenhado para simular as condições de campo de uma infecção mista de variantes heterólogas de PRRSv com Mycoplasma hyopneumoniae.

O objectivo era avaliar o transporte aéreo a longa distância dos referido agentes num raio de 4,7 km e avaliar a sua viabilidade nas amostras de ar recolhidas a longa distância.

 

Como se estuda?

Utilizou-se uma exploração ventilada mecanicamente com 252 porcos de engorda que se inocularam experimentalmente com M hyo e PRRSv que serviram como fonte de bioaerosóis de PRRSv e M hyo durante 21 dias após a inoculação.

Para determinar a transmissão aerógena de PRRSv e M hyo seleccionou-se uma área de 166 km2 com 31 pontos de recolha de amostras em redor da exploração experimental. Não havia outras suiniculturas em 16 km nem outras fontes de contaminação, como poderíam ser o espalhamento de efluentes nos campos ou o transporte de porcos durante o período de recolha de amostras.

As amostras de ar eram recolhídas diariamente em vários pontos, dependendo da direcção do vento. Além disso, era recolhida uma amostra única durante 30 minutos da população origem com o mesmo recolector ciclónico situando-o a 1 m de um dos extractores da exploração.

Realizaram-se análises PCR de cada amostra e, quando o resultado era positivo a PRRSv ou M hyo, levava-se a cabo um bioensaio para confirmar a sua infectividade. Para isso, nos casos de PRRSv utilizava-se uma injecção intramuscular e nos de M hyo uma injecção intratraqueal.

 

Quais são os resultados?

Durante os 21 dias do período de estudo recolheram-se 114 amostras de ar a longa distância e 21 de um dos extractores de ar da exploração (135 amostras no total). As amostras de curta distância foram todas positivas a PRRSv (21 de 21, 100%), enquanto que 8 (38%) foram positivas a M hyo.

Das 114 amostras recolhidas a longa distância 5 (4,4%) foram positivas para PRRSv por PCR. As amostras positivas recolheram-se a 2,3, 4,6, 6,6 e 9,1 km da exploração de origem. A análise filogenética indicou um nível de homología alto (>99,2%) com a estirpe origem.

Por outro lado, 6 (5,3%) foram positivos a M hyo por PCR. Estas amostras tinham sido recolhidas a 3,5, 4,6, 5,2, 6,8, 9,1 e 9,2 km e tinham um nível de homología alto (99,9%) com o M.hyo origem.

O bioensaio confirmou que as amostras recuperadas de PRRSv e de M hyo eram viáveis.

 

Que conclusões se extraem deste trabalho?

Estes resultados demonstram que o transporte a longa distância de PRRSv e de M hyo pode chegar aos 9,2km.

Houve uma grande diferença na concentração de PRRSv infeccioso recuperado da população origem (aproximadamente 4 logs) e a quantidade encontrada nas amostras de longa distância (aproximadamente 1-2 logs).

Os resultados teriam sido diferentes em zonas com uma topografía distinta, por exemplo, bosques densos ou terrenos elevados.

 

Enric MarcoA visão de campo por Enric Marco

Há muitos anos que sabemos que M hyo pode viajar pelo ar a longas distãncias. Dizia-se que viajava até 3 km quando as condições eram ideais: tempo frio, vento suave, alta humidade e terreno plano. Esta informação conhecia-se com base em estudos epidemiológicos e confirma-se no presente trabalho apresentando evidências de que a transmissão pode ocorrer a distâncias superiores de até mais de 9 km. No caso do PRRS as coisas nem sempre foram tão claras. Com efeito, o próprio Scott Dee (um dos autores do trabalho) durante muito tempo defendeu a dificuldade que apresentava o vírus em se transmitir por via aerógena, contudo hoje é aceite que o vírus PRRS se transmite pelo ar (algumas estirpes mais do que outras) mas ninguém pensava que a tão longas distâncias (9,1km) o vírus todavía fosse infectante. No artigo discute-se se a infecção mista que se estabelece na população infectante podia ter um efeito exacerbante da infecção e, portanto, facilitasse a transmissão aerógena, mas em qualquer caso fica bem claro que a transmissão vía aerógena de ambos agentes patogénicos é uma possibilidade real a avaliar quando queremos proteger uma exploração de uma infecção.

Tendo em conta os resultados do trabalho, fica claro que no caso de implantação de novas explorações a eleição da sua localização vai ser um dos pontos críticos de forma a manter a exploração livre de infecções por um longo período de tempo. Evidentemente a exploração devería estar afastada de outras explorações de suínos. No caso de se localizar em terrenos planos (como é o caso da do artigo), a distância às explorações vizinhas devería ser de mais de 10 km. Não obstante de poder eleger o terreno, sería preferível optar por terrenos com orografía e, podendo ser, com presença de árvores que limitariam a transmissão de ambos agentes patogénicos. No artigo apresentam-se as concentrações a que se encontra o vírus nas distintas amostras e observa-se uma redução da sua concentração conforme a distância aumenta. Quantos mais obstáculos encontre o vírus no trajecto menor será a distância a que se pode transmitir. Em Países como o Brasil, a protecção das novas explorações faz-se circundando-as com um cinto de segurança de uns 100 m de arvoredo (eucaliptos) precisamente com esta finalidade.

Granja porcina

Mas, que podemos fazer nas explorações que não possuem uma localização ideal? As medidas que se adoptaram nos EUA foram a colocação de filtros que evitem a introducção de agentes patogénicos na exploração. Os filtros implicam um investimento elevado, só se podem instalar nas explorações com ventilação forçada e não são uma garantía total. Os filtros reduzem a probabilidade de infecção, mas não a levam a zero. Outra medida que, com base nos resultados do trabalho que estamos a comentar, permitiría reduzir o risco de transmissão aerógena é circundar as explorações com uma vedação de sebes altas. Esta medida é comum nalgumas zonas da Europa, enquanto que nem se contemplam noutras. Se todas as explorações de uma zona tivessem uma sebe perimetral que as rodeasse (evidentemente de uma determinada altura) não só se dificultaría a saída de agentes patogénicos das explorações infectadas, mas também se reduziría o risco de introdução de agentes patogénicos. A combinação de ambos efeitos resultaría numa redução real da frequência de focos. Este tipo de medidas deveríam contemplar-se nas zonas que iniciaram planos regionais de controlo pois poderíam ter um impacto real com um investimento relativamente baixo. Nos casos em que a plantação de uma sebe perimetral não seja possível, quiçá a colocação de uma vedação perimetral que rompa o fluxo laminar do ar também ajudaría.

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