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Interacção entre PRRSv e H. parasuis

O PRRSv não favorece a infecção por H. parasuis porque reduz a população de macrófagos alveolares mas sim porque reduz a sua capacidade de inactivar a bactéria.

4ª feira 25 Fevereiro 2015 (há 4 anos 8 meses 18 dias)
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Artigo

Effect of Porcine Reproductive and Respiratory Syndrome Virus Infection on the Clearance of Haemophilus parasuis by Porcine Alveolar Macrophages Gloria I. Solano, Elida Bautista, Thomas W. Molitor, Joaquim Segales, and Carlos Pijoan. Can J Vet Res 1998; 62: 251-256

 

Resumo do artigo

O que é que se estuda?

Este estudo pretende caracterizar a interacção entre PRRSv e Haemophilus parasuis nos macrófagos alveolares suínos (MAS).

 

Como é que se estuda?

Foram utilizados dezanove leitões de 4-5 semanas de vida (negativos a PRRSv e doença de Aujeszky). Foram eutanasiados 4 leitões e os seus MAS foram utilizados para estudos in vitro: os MAS foram inoculados com PRRSv e depois foram expostos a Haemophilus parasuis para determinar a sua capacidade fagocitária.

Os quinze leitões restantes foram utilizados para estudos ex vivo; 9 foram infectados com PRRSv e 6 permaneceram como controlos. Os animais foram eutanasiados em diferentes momentos (6h, 12h, 24h, 168h e 216h pós-infecção) e recolheram-se as suas MAS para continuar com a  experiência: os MAS foram expostos a Haemophilus parasuis e foi determinada a sua capacidade fagocitária e de eliminação.

 

Quais são os resultados?

Houve uma redução significativa na fagocitose dos MAS recolhidos após 168h (7d) da infecção, o que poderá sugerir que a função fagocitária pode mudar com o tempo após a infecção vírica.

 

Porcentaje de fagocitosis de H parasuis por macrófagos alveolares porcinos recogidos de cerdos previamente infectados por PRRSv

Figura 1. Percentagem de fagocitose de H parasuis por macrófagos alveolares suínos recolhidos de porcos previamente infectados por PRRSv.

Quando foi avaliada a sobrevivência intercelular, foi detectado um maior número de H. parasuis nos MAS recolhidos dos leitões às 168h e 216h pós-infecção em comparação com os MAS dos controlos não infectados. Isto indica que os porcos infectados por PRRSv têm uma diminuição marcada da capacidade funcional dos seus MAS para eliminar H.parasuis.

 

Supervivencia intracelular de H parasuis en los macrófagos alveolares porcinos recogidos de cerdos previamente infectados con PRRSv

Figura 2. Sobrevivência intracelular de H parasuis nos macrófagos alveolares suínos recolhidos de porcos previamente infectados com PRRSv.

 

Quais as conclusões extraídas deste trabalho?

Pode-se sugerir que, após uma semana da infecção com PRRSv (7 e 9 d), a redução da actividade fagocitária e da produção de anião superóxido por parte dos MAS possa criar um meio mais permissivo para a colonização bacteriana por H. parasuis como no caso estudado neste artigo.

 

Enric MarcoA visão a partir do campo por Enric Marco

Alguns de nós ainda recordamos com pavor os surtos de doença de Glässer que se viam nas fases de pós-desmame daquelas primeiras explorações infectadas pelo vírus PRRS. Nessa época parecia que o vírus era responsável por imunodeprimir e, portanto, facilitar a entrada de outros agentes patogénicos potenciais, como era o caso de H. parasuis. No entanto tiveram que decorrer quase 10 anos até comprovar que realmente o vírus PRRS facilitava a persistência desta bactéria. Até agora a doença de Glässer era também conhecida como a doença do stress, já que aparecia só em animais que tinham sido submetidos a situações claramente stressantes (pós-transporte, entradas de engorda, etc.). Depois da chegada do vírus PRRS às nossas explorações, H. parasuis passou a ser um dos agentes patogénicos habituais da fase de pós-desmame, de tal modo que ninguém fica surpreendido, hoje em dia, de ver a sintomatologia típica desta infecção a coincidir com re-circulações de PRRS.

Os resultados do artigo explicam como o vírus PRRS favorece a infecção por H. parasuis. Não porque reduza a população de macrófagos alveolares, mas sim porque reduz a sua capacidade de inactivar a bactéria, e este efeito precisa de um certo tempo depois do contacto com o vírus (pelo menos uma semana).

Perante novos surtos, ou recirculações, de vírus PRRS nas explorações a cobertura antibiótica da fase de pós-desmame deve ser completada como uma das acções a realizar e esta deverá ser eficiente no controlo de H. parasuis pois, conhecendo a sua ubiquidade nas explorações suínas, será muito possivelmente uma das bactérias que nos complicará o controlo da doença.

Não obstante, o artigo permite reflectir sobre outros aspectos da resposta imune frente a bactérias que frequentemente se esquecem. No estudo, os macrófagos eram incapazes de fagocitar as bactérias quando não eram opsonizadas e isto acontecia em todos os casos. Este ponto é importante, já que implica que para que os leitões respondam a uma infecção frente a H. parasuis devem de ter anticorpos circulantes, que permitam opsonizar (recobrir) a bactéria de tal modo que posteriormente possa ser fagocitada pelos macrófagos alveolares. Será por isso essencial, no caso destas infecções tão precoces, que os animais hajam tomado colostro das suas mães, já que permitirá passar-lhes imunidade celular e humoral que será de vital importância para a sua resposta imunitária. É por isso que técnicas, como a conhecida por “McRebel” (não mover leitões lactantes das suas ninhadas), não só reduzem a quantidade de leitões virémicos ao desmame, por reduzir as possibilidades de infecção, mas também melhoram a resposta dos mesmos às bactérias, ao assegurar o seu correcto encolostramento.

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