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Importância e monitorização da estrutura genética do PCV2

As alterações genómicas podem estar associadas a um aumento da virulência ou a uma descida da imunogenicidade.

4ª feira 20 Fevereiro 2013 (há 5 anos 6 meses)
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O circovirus suíno tipo 2 (PCV2) está relacionado com várias manifestações clínicas em todas as fases da produção suína comummente conhecidas como doenças associadas ao PCV2 (PCVAD). Entre os sinais clínicos associados à infecção por PCV2 encontramos redução no crescimento, perda de peso, diarreia, patologias respiratórias (espirros, descarga nasal, aumento do ritmo respiratório), icterícia, anemia e lesões cutâneas. A vacinação é uma ferramenta que se usa com frequência para reduzir ou prevenir as perdas económicas associadas ao PCV2.

Quais são os principais genótipos de PCV2?

A nível genético, os isolados de PCV2 podem dividir-se em três grandes genogrupos: PCV2a, PCV2b e PCV2c (Fig. 1). Tanto PCV2a como PCV2b dão-se em todo o mundo. PCV2a foi o genótipo predominante até que, no ano 2000, começou uma mudança global que comportou que desde então seja o PCV2b. Quando o PCV2b entrou na América do Norte estendeu-se rapidamente pelas regiões produtoras devastando a suinicultura com uma mortalidade e morbilidade elevadas.

Fig. 1. Principais genótipos de PCV2 e a sua relação com base nos genes da cápside.

Principales genotipos de PCV2 y su relación en base a los genes de la cápside.

As vacinas protegem contra todos os genótipos circulantes de PCV2?

As principais vacinas comerciais contra PCV2 disponíveis até à data baseiam-se em estirpes PCV2a. Estudos experimentais levados a cabo pelo nosso grupo e outros indicam que há suficiente protecção cruzada entre PCV2a e PCV2b. Também a experiência no campo indica que a vacinação de porcos com uma vacina com base no PCV2a geralmente é muito efectiva para reduzir PCVAD.

A caracterização das estirpes recentes de PCV2a e PCV2b indica a presença de novas variantes

A sequenciação dos genes da cápside do PCV2 durante os estudos de campo permitiu descobrir várias mutações e variantes de PCV2 produzidas nos últimos anos. Uma destas variantes, uma estirpe descoberta inicialmente na China, possui várias mutações nos genes da cápside. Os investigadores chineses demonstraram num modelo experimental que esta estirpe é mais virulenta que as estirpes chinesas tradicionais de PCV2a e PCV2b aumentando a preocupação internacional sobre a emergência e disseminação de novas variantes de PCV2. A princípios deste ano o nosso grupo nos Estados Unidos identificou uma estirpe similar em vários casos nos que se tinha produzido uma falha vacinal ao ter acontecido uma severa PCAVD em explorações vacinadas. Além desta estirpe particular, foram identificadas outras variantes de PCV2a e PCV2b com mutações individuais em aminoácidos de regiões imunogénicas da cápside indicando quiçá uma selecção positiva nos vírus que contêm certas mutações da cápside ou quiçá uma protecção vacinal insuficiente para as estirpes actuais de PCV2. Estes resultados também podem ser acidentais já que as implicações destas alterações de aminoácidos todavia não foram determinadas.

Ferramentas disponíveis para a caracterização de isolados de PCV2

Existem boas ferramentas de diagnóstico, de uso comum, para demonstrar a presença do PCV2 em tecidos ou soro. Entre elas encontramos a imunohistoquímica ou a hibridação in situ em tecidos fixados com formalina ou análise por PCR em tecidos, amostras de soro ou fluidos orais. Algumas análises por PCR som capazes de identificar e diferenciar entre PCV2a e PCV2b. Alguns testes serológicos permitem demonstrar a presença de anticorpos contra o PCV2 em amostras de soro ou fluidos orais.As análises serológicas actuais só indicam exposição a PCV2 pelo que não são suficientes para identificar pequenas, mas quiçá importantes, alterações genómicas. A sequenciação do vírus pode proporcionar informação adicional muito relevante.

A sequenciação pode fazer-se de todo o vírus ou apenas da cápside. Normalmente a sequenciação da cápside costuma ser suficiente para vigilância. Nestes momentos, a monitorização das alterações utilizando uma base de dados centralizada parece garantida para PCV2. Pese as alterações genómicas entre vírus, é importante verificar que as ditas alterações estejam associadas a um aumento da virulência ou a uma diminuição da imunogenicidade para sermos capazes de implementar estratégias de intervenção apropriadas.

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