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DTH: nova opção para comprovar a observância da vacinação frente a PCV2

Um teste que permite verificar a realização e/ou qualidade da vacinação em casos como a entrada de leitões na engorda.

2ª feira 18 Agosto 2014 (há 5 anos 3 meses 2 dias)
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Em termos práticos podemos definir a observância como a correcta aplicação ou acompanhamento das normas de utilização de um produto ou de uma prescrição. Pela sua parte, as siglas DTH aplicam-se para denominar uma reacção de hipersensibilidade conhecida como hipersensibilidade retardada ou tipo IV. O que é que tem que ver uma reacção de hipersensibilidade com um correcto protocolo de vacinação frente a PCV2? Provavelmente a nossa primeira resposta será “pouco ou nada”. No entanto tem muito a ver, como vamos explicar neste artigo.

Aplicación intradérmica del antígeno

Foto 1. Aplicação intradérmica do antigénio

O teste DTH é muito familiar no mundo veterinário porque é aplicado para o diagnóstico da tuberculose. De facto, é o conhecido teste da tuberculina ou tuberculinização e baseia-se na reacção de hipersensibilidade que um animal tem frente a um antigénio, se teve previamente contacto com ele. A aplicação por via intradérmica do bacilo da tuberculose inactivado, ou de uma fracção proteica purificada do mesmo, produz uma reacção de hipersensibilidade que se manifesta ao fim de umas horas no ponto de inoculação e que se caracteriza por um engrossamento da pele, edema, eritema ou inchaço. Desde há uns anos que se sabe que este teste está relacionado com a imunidade de tipo celular, mas utiliza-se para detectar animais infectados e ajudar a erradicação da tuberculose. Portanto, como é que pode servir para a avaliação da observância na vacinação frente a PCV2? Muito simples: o circovirus suíno tipo 2, como agente vírico , é um agente patogénico intracelular e portanto susceptível de gerar uma resposta imunitária celular adaptativa. De facto, as vacinas frente a PCV2 desencadeiam, em condições normais, uma resposta tanto humoral como celular frente a dito vírus.

Reacción típica de eritema observada 24 h tras aplicación en la piel del abdomen

Foto 2. Reacção típica de eritema observada 24 h após a aplicação na pele do abdómen.

O passo seguinte é saber como pode ser aplicado o teste DTH com o objectivo e observância? É muito simples, apenas se tem que inocular antigénio de PCV2 intradermicamente nos animais problema (nos que queremos saber se estão ou não vacinados) com um intervalo adequado após a presumível data de vacinação. Como a vacinação frente ao circovirus costuma ser feita às 3-4 semanas de vida, devem-se deixar passar pelo menos 3 semanas para fazer o teste. Devido a que este teste pode dar resposta positiva (ainda que de menos magnitude) em animais com imunidade maternal celular, aconselha-se o seu atraso até às 7-9 semanas de vida, ou seja 4-6 semanas pós-vacinação. Este não é um teste com valor individual mas sim colectivo, por isso é aconselhado que se realize em 10-15 animais por grupo de idade, em função do tamanho do lote. Os resultados são lidos após 24 h, podendo ser feita uma leitura qualitativa (positivo/negativo) e/ou quantitativa (diâmetro da reacção). A reacção produzida (foto 2), que pode ser uma zona de endurecimento ou de vermelhidão, acompanhada ou não de edema, depende da zona da pele onde se injecta e do dispositivo usado para a injecção do antigénio. Em leitões de 7-10 semanas, é melhor ser aplicado no abdómen, entre o último e penúltimo mamilo. Não é necessário tranquilizar os animais posto que é um procedimento rápido, seguro e inócuo. A grande vantagem é que pode ser realizado no campo e ter o resultado em 24 h sem necessidade de recorrer ao laboratório. Para aplicar o antigénio pode ser suficiente uma seringa de insulina, ainda que haja outras alternativas. Na hora de interpretar este teste há que ter em conta o seguinte:

  • A sensibilidade é à volta de 80-85%, ou seja, é normal que haja 2-3 animais num grupo de 10-15 que não apresentem reacção, sem que isso signifique que não tenham sido vacinados, ainda que a resposta habitual, costume ser de 100%.
  • A falta de resposta não implica que os animais estejam desprotegidos, já que o teste, como foi dito, detecta a imunidade celular e a protecção e depende não só da imunidade celular mas também da humoral (anticorpos neutralizantes).

Este teste tem interesse para testar a realização e/ou qualidade da vacinação em casos como a entrada de leitões para engorda.

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