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Vacinação contra o PRRS

Uma das formas de combater o PRRS é a vacinação. Vê como se resolveu o problema nesta exploração

2ª feira 6 Outubro 2008 (há 10 anos 1 meses 10 dias)
gosto

Descrição da Exploração

Trata-se de uma exploração de ciclo fechado de cerca de 230 porcas.

Vem de uma ampliação e de uma recirculação grave de PRRS, devido ao enchimento depois da ampliação ter sido realido pensando mais em aspectos produtivos que sanitários.

A reposição realiza-se desde um multiplicador externo com animais de 6 meses de idade.

Na fase de crescimento (desmame e engorda) faltam lugares, isto leva a que não se possam cumprir as normas básicas da produção suína; maneio tudo dentro-tudo fora, vazios sanitários…

O perfil sanitário é baixo. A exploração é positiva a PRRS, ADV, pneumonia enzoótica e sarna. Existe sintomatologia própria do síndroma da redução de crescimento (PMWS).

Na engorda há muitas baixas e ficam muitos animais atrasados.

O gráfico representa o número de baixas de porcos na engorda que há em cada mês.

Evolução baixas engorda


Primeiras Medidas

As acções para tentar reconduzir a situação vão para além de que as medicações sejam preventivas ou curativas.

O primeiro objectivo é erradicar a Doença de Aujeszky, para isso intensifica-se o plano vacinal com uma vacina de eficácia reconhecida nas reprodutoras e engordas.

Fazem-se mais lugares de engorda e vendem-se periodicamente alguns lotes de leitões para tentar solucionar o problema das altas densidades. De todas as formas continua a impossibilidade de fazer vazios sanitários, as exigências de uniformidade de peso por parte dos matadouros fazem com que fiquem sempre lotes de animais atrasados que se têem que voltar a misturar.

Começa-se a fazer a reposição com animais de 3 meses de vida, e recebem-se animais de 2 em 2 meses. A ideia é conseguir que quando as marrãs comecem a produzir tenham tido contacto com o virus PRRS de campo mas não sejam virémicas.

Na exploração vacina-se duas vezes por ano em grupo todas as reprodutoras contra a PPRS com vacina inactivada.

– O critério de eleição de uma vacina inactivada baseia-se em que já há bastantes virus na exploração e não faz falta introduzir mais.

– Em princípio este tipo de vacinas não servem para proteger os animais da infecção contra a PRRS.

– Mas há boas referências da vacina inactivada quando há virus vivo: não evita a infecção mas consegue que o quadro clínico dos animais infectados seja mais leve.


Evolução

Uma das primeiras propostas que se realizaram para tentar melhorar as condições sanitárias, com a vantagem acrescentada de contar com lotes grandes de leitões, foi o maneio em bandas. Mas um dos sócios da exploração não gosta do sistema já que pensa que perderá produtividade.

Com as medidas tomadas logra-se melhorar a situação geral da exploração.

Consegue-se erradicar a Doença de Aujeszky, em menos de 6 meses. A doença só recircula na engorda e não nas reprodutoras.

No área reprodutiva a exploração funciona correctamente. A produtividade é elevada e as reprodutoras mantêm-se PRRS estáveis.

Mas na engorda mantém-se um número elevado de baixas e de animais atrasados que não têm nenhum valor económico. Os problemas começam duas semanas após passarem à engorda.

A finais da Primavera decide-se que se no Outono a situação não tiver melhorado terá que se implementar o maneio em bandas.

Evolução baixas engorda


Outras Medidas Aplicadas

O processo da instauração da produção em bandas decide-se atrasar para o Outono já que esta é uma época muito mais favorável para a creação dos lotes já que a entrada em cio é mucho melhor que nos meses de calor intenso.

Quando se visita a exploração em Outubro há uma novidade, o sócio que não quer o maneio em bandas vacinou uns grupos de leitões com vacina inactivada contra a PRRS. O momento para vacinar à na passagem para a engorda, entre uma e duas semanas antes de que apareçam os problemas.

Os resultados são muito bons. Faz-se um seroperfil para ver qual é a situação da exploração contra a PRRS.


Resultados das análises na engorda

Recolhem-se amostras de porcos de 3, 10, 14 e 21 semanas de vida.

3 semanas vida
10 semanas vida, final desmame
14 semanas vida
21 semanas vida, final engorda

Dos resultados nos porcos de engorda depreende que o PRRS recircula na engorda, pouco tempo após a entrada dos leitões. Provavelmente stress da mudança e as vacinações próprias desta fase colaboram nesta circunstância.


Resultados das Análises em Marrãs de Recria

Recolhem-se amostras de marrãs de recria de 6 meses


Dos resultados nas marrãs de reposição pode-se constatar que tem havido recirculação durante a fase de recria, os títulos variáveis e em alguns casos altos demonstram que tem havido recirculação e ainda sobra tempo para que passe o problema antes da cobrição.

Resultados das análises nas reprodutoras

Recolhem-se amostras das reprodutoras.


Nas porcas os resultados correspondem a um caso de recirculação, con títulos variáveis e muitos elevados.

Os bons resultados reprodutivos não fazem supor que isto seja assim.

Parece que a vacina é capaz de cumprir nestas condições.


Evolução do Caso

Instaura-se a vacinação com vacina inactivada de PRRS às 12 semanas de vida, quando supomos que o virus está recirculando na engorda.

Desde este momento o número de baixas na engorda começa a diminuir. A exploração mantém-se estável nas áreas reprodutiva e nas engordas.

Evolução baixas engorda

Contra o PRRS quais são melhores? As vacinas vivas ou as inactivadas?, Trabalhando com sistemas produtivos distintos, pode-se generalizar sobre a eficácia ou a ineficácia dos diferentes tratamentos? Pode-se generalizar na produção suína?


Comentários

O PRRS é uma doença que nos custa a entender e consequentemente dá-nos mais problemas do que os esperados com as perdas económicas associadas que este facto supõe.

Uma das poucas coisas que podemos afirmar com certa segurança é que relativamente ao PRRS, se não queremos ter demasiados problemas, só temos duas possibilidades:

• Todo o grupo negativo, ou seja, exploração livre.

• Todo o grupo positivo, ou seja, exploração estável.

No melhor dos casos conseguimos estabilizar as explorações ao nível das reprodutoras, mas sempre ficaram as engordas como parte mais instável dos diferentes sistemas produtivos.

A falta de uma vacina eficaz é o que levou à procura de outras soluções. Neste sentido, fez-nos evoluir muito.

Esta doença é uma das responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas de produção em diferentes sitios em geral, ou do "wean to finish" em particular.

A entrada de reposição é uma condicionante importantíssima para conseguir explorações estáveis. Os diferentes sistemas de reposição foram evoluindo à medida que a doença não se deixou controlar.

Assegurar que as primíparas têm contacto com o virus de campo com o tempo suficiente para deixar de ser virémicas antes de entrar em produção é imprescindível para assegurar que a exploração se mantém estável positiva.

Em condições especiais, com presença de virus de campo abundante, parece que a vacina inactivada se mostra muito mais eficaz. Esta situação não só é válida para as reprodutoras, como também dá bons resultados na engorda.

Casos Clínicos

Vómitos em leitões desmamados03-Nov-2008 há 10 anos 13 dias
Intoxicação por H2S01-Set-2008 há 10 anos 2 meses 15 dias

Comentários ao artigo

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08-Jan-2014F.CardosoF.Cardoso150 reprodutoras de campo 50% entram varias vezes em cio e outras no final da gravidez leitões mumificados c/abordo
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