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Substitutos da carne elaborados à base de plantas

Quão preparado está o sector da carne para assumir que 25% da sua produção actual seja substituída por este tipo de produtos nos próximos 5 anos?

4ª feira 28 Agosto 2019 (há 25 dias)
gosto

Se não seguiu o desenvolvimento dos produtos substitutos da carne produzidos à base de vegetais, este é o momento para que tenha uma ideia completa deles. Melhor ainda, peço-lhe que procure um produto deste tipo para provar, tal como eu fiz. Entretanto, deveríamos ir pensando em estratégias de diversificação, talvez para a produção de ervilhas, um dos principais ingredientes de um dos alimentos substitutos da carne à base de plantas que se distribui internacionalmente. Brincadeiras à parte, a maior parte das tentativas, até à data, para produzir carne artificial e produtos parecidos não tiveram uma boa aceitação por parte dos consumidores, excepto em pequenos nichos de mercado com determinadas crenças religiosas que proíbem o consumo de carne ou então noutros grupos com um estilo de vida vegetariano ou vegan, à margem da religião. Tudo isto mudou drasticamente nos últimos 12-18 meses e é muito provável que se desloque uma parte muito importante do consumo de carne de origem animal e, portanto, a sua produção nos próximos 3-5 anos.

Os produtos alternativos à carne que tenham o mesmo sabor e uma textura parecida são ganhadores naturais no ambiente sócio-político-ambiental actual. Evidentemente, tudo isto depende dos ingredientes necessários para a produção alternativa de carne e as suas estruturas únicas de demanda de insumos, tais como a terra cultivável, água/regadio, montagem, métodos de processamento (necessidades energéticas intensas ou neutras/compensadas), transporte e refrigeração e, claro, a distribuição. Já se anuncia que se verão drasticamente reduzidos os insumos chave necessários como a terra, a água e a energia em comparação com os actuais sistema de produção de carne.

Esta diferença neta nos requisitos de necessidades de insumos, mais a ausência de problemas relacionados com o bem-estar animal, maneio dos efluentes/odor e a redução da produção de metano, é provável que catapulte os produtos cárneos baseados em vegetais para a categoria de vencedores para os consumidores preocupados com o meio ambiente e aqueles que procuram reduzir ou eliminar a carne da suas dietas.

Aqueles que apregoam o milagroso final do sofrimento animal, das “explorações industriais” e do arrefecimento da atmosfera, tudo a partir do consumo de produtos similares à carne elaborados com plantas que alteram a produção animal global, parece que não analisam todas as consequências secundárias de tais transformações. Deixemos para outro artigo a discussão sobre outros elementos a considerar como sejam a redução dos benefícios derivados do uso do efluente como fertilizante ou o efeito devido ao aumento da produção de fertilizantes artificiais à base de azoto, etc. e tudo o demais, incluindo um amplo espectro de possíveis déficits de nutrientes.

O aumento exponencial actual da popularidade, produção e distribuição de produtos similares à carne à base de plantas, está a ter como resultado um conjunto cada vez maior de produtos que chegam à mesa ao pequeno-almoço (a maior fonte de consumo de carne de porco em hotéis, restaurantes e no sector institucional nos Estados Unidos). A carne de porco predominou nos pequenos-almoços nos Estados Unidos mas neste momento, em especial os hambúrgueres feitos com plantas, já estão a ser distribuídos por uma das cadeias comerciais nacionais que servem pequenos-almoços.

Um destes produtos passou um teste de grandes dimensões numa importante cadeia de comida rápida nos Estados Unidos que serve hambúrgueres grelhados. Informou-se que o teste inicial em vários estabelecimentos de St Louis, Missouri, foi um "enorme êxito" e na semana seguinte a empresa já lançava o produto em mais de 7000 das suas lojas em todo o país. A única objecção foi que os hambúrgueres vegetais se cozinhavam na mesma superfície que os hambúrgueres de carne, o que pôs os puristas nervosos. Tenho a certeza que este problema se superará com bastante rapidez.

Até que ponto o sector da carne está preparado para assumir que 25% da sua produção actual seja substituída por este tipo de produtos nos próximos 5 anos? Já se está a exercer pressão sobre os principais vendedores de carne e produtos cárneos (especialmente de comida rápida) para apresentar esta alternativa, agora que existe um produto que aparentemente é um substituto decente. A maioria das empresas não quer ver como a onda de indignação vai crescendo e como chega às suas redes sociais.

Parece pelo menos plausível que se desenvolva um sistema de duas categorias com a rápida adopção deste tipo de produtos por parte dos consumidores do primeiro mundo, o que conduzirá a reduções substanciais da procura nos países especializados na produção de produtos animais. Quem é que está pronto para isto? Que se pode fazer? A redução da procura de carne dos países do primeiro mundo reduzirá os preços e terá, como resultado, uma maior distribuição de carne nos mercados do segundo e terceiro mundo que, até agora, não podiam comprar grandes quantidades de carne aos preços mundiais actuais.

Ninguém vai fabricar um presunto de bolota com base em plantas que seja credível (graças a Deus!) mas produtos de carne picada como hambúrgueres, salsichas frescas ou processadas tipo chouriço, bratwursts, bolonhesa etc. estão mesmo em cheio no ponto de mira. A carne picada é usada em todo o mundo, em praticamente todas as culturas, em comidas como hambúrgueres, burritos, panados, tacos e curries da Índia/Paquistão, salsichas asiáticas, espetadas, almôndegas, pasteis de carne no UK, mais todos os produtos próprios da vossa zona que possam acrescentar à lista.

A carne de vários tipos com a sua preparação exclusiva, as suas especiarias e a sua apresentação têm ligações profundamente arreigadas nas crenças religiosas e culturais que estas misturas à base de plantas é pouco provável que as substituam, pelo menos no curto prazo. Entretanto, o melhor será pensar em possíveis estratégias de diversificação e em como fazer frente à erosão gradual da procura. Comprar e guardar produtos alimentares é provavelmente uma estratégia de diversificação mais eficaz do que cultivar ervilhas para a maioria das pessoas. A mudança está a caminho e mais cedo do que provavelmente se esperava.

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