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Somos todos China

Lições que podemos extrair da actual situação na China para enfrentar futuras ameaças para lá dos problemas sanitários.

4ª feira 19 Junho 2019 (há 1 meses 2 dias)
gosto

Vamos estacionar, por agora, a análise do impacto da PSA e passemos a considerar as lições que podemos extrair do que está a suceder na China para a produção suína mundial. No futuro relativamente próximo, muitos países produtores de carne de porco terão lições similares à que os nossos colegas chineses estão a enfrentar; mitigar as suas consequências requererá que mergulhe com muito mais intensidade na inovação para servir de base do seu negócio.

A inovação é o processo de procura constante da solução seguinte, antes de que seja esmagado pelo colapso provocado pela inadaptação ao presente. Muita gente não pode acompanhar este ritmo porque o conhecimento convencional fá-lo agarrar-se a uma situação mais segura a curto prazo, que é muito mais confortável. Ainda assim, para ter êxito no futuro, a aposta na inovação, como um princípio fundamental, será um requisito indiscutível já que o ritmo de mudança irá acelerar drasticamente.

Se realmente entende o que se passou na China, sabe que o problema primordial não é uma biosseguraça laxista, mesmo quando a biossegurança é crítica, não só a nível da exploração mas também a nível regional. Consideramos este caso como uma manifestação de um "salto tecnológico" que correu terrivelmente mal. Os países em desenvolvimento teve um grande êxito saltando-se algumas das fases tecnológicas pelas que passou a evolução dos países desenvolvidos como a UE e os Estados Unidos. Isto conhece-se como salto tecnológico ou salto de rã.

Observe como os seus filhos ou netos mexem no telemóvel ou a tablet e pense no que fazia com a mesma idade. Eles não precisam desses cadernos de bolso ou dos calendários em papel. Eles também irão deixar para trás as câmaras de 35 mm, o telefone fixo ou a calculadora. Faz ideia do panorama que estou a descrever? Os robots eliminarão os trabalhos intensivos que persistiram durante mais de dois séculos em países industrializados como os EUA e a UE? Claro que sim.

Tendo em conta as ideias anteriores, se fossemos construir, quase desde o zero, um sistema moderno de produção de carne de porco nuna mega escala e a um ritmo acelerado como o que está a tentando a China, transferir os sistemas actuais de produção de carne de porco da Europa e dos Estados Unidos para um país em convulsão?

Se tivermos em conta como apareceram, historicamente, os serviços veterinários especializados em suíno nos EUA e na UE, a existência de laboratórios de diagnóstico, as regulamentações oficiais de pesos e carcaças, o controlo estatal da contaminação e do uso dos nutrientes do efluente (em vez da sua simples eliminação); se considerarmos que a autorização para abrir uma nova exploração é o produto final de uma análise multi-variável realizada por uma equipa interdisciplinar de engenheiros e políticos com tempo suficiente para minimizar uma multitude de futuros problemas; se a isto juntarmos o desenvolvimento de uma rede viária que permite transportar grandes grupos de animais em camiões, matadouros modernos e uma cadeia de distribuição de alimentos segura até ao consumidor final, a transparência de preços entre mercados, etc. daremos conta que os sistemas de produção dos EUA e da UE foram formados pelo desenvolvimento conjunto de uma multitude de sistemas de suporte exclusivos que ainda não se encontram na China (porque não havia qualquer necessidade até agora). O que era um sistema robusto aqui, era frágil lá.

Assim, ainda que os analistas de dados das explorações chinesas estejam muito por acima dos analistas dos EUA e da UE no uso de inteligência artificial para o maneio da produção suína, os seus sistemas têm este imenso calcanhar de Aquiles que nega estas contribuições. Por falar em calcanhar de Aquiles, como pensa que se pode competir quando a "carne limpa", uma cultura celular que substitui o que a produz, consiga o sabor, textura, características sensoriais, sustentabilidade, vantagens no uso de recursos renováveis, baixo custo e uma melhoria dramática da saúde alterem os seus planos orientados para um mercado de exportação em crescimento constante? Se a sua primeira ideia é esforçar-se para reduzir o custo de produção de forma a poder continuar a ser competitivo, rapidamente sentirá dor no calcanhar. Os investimentos das grandes empresas de alimentação nesta tecnologia estão a aumentar e os governos estão prestes a inclui-la, em níveis significativos, em comedouros escolares, militares, cafetarias federais e estatais, locais de fast food, etc. Os nossos sistemas actuais estão construídos numa base de conhecimentos convencionais que rapidamente vão deixar de ser úteis. Comece a assumir a inovação porque, ao fim e ao cabo, somos todos China.

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