Forte subida do preço porcos em Portugal permite haver algum desafogo

carcaças no matadouro
carcaças no matadouro

Em Portugal a cotação dos porcos, na Bolsa do Porco, subiu 0,116€/kg carcaça na segunda quinzena de Fevereiro.

2 de Março de 2018

Sinal totalmente verde nas cotações dos porcos em toda a Europa e de um verde bastante vivo e brilhante.

O desequilíbrio entre a procura e a oferta de porco, provocado pelos matadouros alemães fez disparar as cotações dos porcos em toda a Europa. Na Alemanha, o total da subida foi de 20 cêntimos nas últimas 4 semanas e todos os mercados foram por arrastamento do mercado alemão.

Nota-se que o mercado começa a tender para o equilíbrio, já que as subidas semanais são cada vez menores de semana para semana, apesar de continuar a haver pressão dos matadouros para terem mais porcos para abater. Em todo o caso, não deixam de ser subidas e para todo o sector, quer a montante quer a jusante, quanto mais subir, melhor.

Em Portugal a cotação dos porcos, na Bolsa do Porco, subiu 0,116€/kg carcaça na segunda quinzena de Fevereiro, que a somar à subida da primeira quinzena, perfaz um total de 0,186€/kg carcaça em todo o mês. Os pesos vão baixando e a procura de carne segue normal para esta época do ano.

Em Espanha a cotação subiu 0,08€/kg PV (-0,107€/kg carcaça) fixando-se a cotação em 1,115€/kg PV (1,487€/kg carcaça) nesta quinzena. Apesar das subidas destas últimas 4 semanas, a cotação é 8 cêntimos mais baixa do que no ano passado por esta altura.

Os pesos continuam a baixar de forma desigual entre as grandes integradoras e os produtores independentes. Naquelas, o peso baixa mais do que nestes, já que as grandes integradoras “sofrem” mais a pressão dos matadouros com pedidos de porcos. Os produtores independentes tentam combater os baixos preços enviando porcos para abate com mais peso. De todas as formas, os pesos em Espanha estão cerca de 2kg acima dos pesos existentes na mesma altura do ano passado. Os matadouros vão reduzindo alguma matança, mas a oferta de porcos vai-se mantendo igual. Portanto, oferecem-se porcos cada vez mais jovens, cujos crescimentos são bons. Evidentemente que, mais cedo ou mais tarde, irá aparecer o “buraco” no mercado com a falta destes porcos no mercado e é natural que os preços subam ainda mais.

A Alemanha subiu, novamente, a sua cotação 0,10€/kg carcaça, fixando-se em 1,50€/kg. A Alemanha tem o preço mais alto de toda a Europa e, com este comportamento do seu mercado, arrastou todos os restantes mercados europeus. Não apenas os mercados vizinhos que são muito dependentes do mercado alemão, como são os casos da Holanda, Bélgica, Áustria, mas também aqueles que são mais “independentes” directamente do mercado alemão, como são os casos da já referida Espanha, Dinamarca e França. Os pesos mantiveram-se nos 96,4kg carcaça. Começa a haver alguma resistência, no mercado alemão, à subida do preço da carne e este comportamento terá implicações no mercado do porco.

Como referi acima, a Holanda e a Bélgica beneficiam-se do comportamento do mercado alemão e subiram as suas cotações. No caso da holanda, a subida foi de 0,13€/kg carcaça fixando-se a cotação em 1,45€/kg carcaça. Na Bélgica a cotação subiu 0,09€/kg PV fixando-se a cotação em 1,03€/kg PV.

A Dinamarca também acompanhou o comportamento do mercado alemão e subiu moderadamente a sua cotação 0,07€/kg carcaça, passando esta a ser de 1,24€/kg carcaça. Os dinamarqueses referem que se mantém o bom ambiente no mercado da carne de porco, se bem que haja mercados que começam a estar pressionados. No comércio para Países Terceiros, as vendas continuam estáveis para a China e o Japão.

A França subiu 0,053€/kg carcaça a sua cotação nesta segunda metade de Fevereiro tendo-se fixado em 1,205€/kg carcaça. Os pesos baixaram 100g para os 95,7kg carcaça. Apesar disso, estes ainda se encontram 700g acima dos pesos da mesma semana de 2017. A oferta de porcos é suficiente para fazer face aos pedidos dos matadouros e tem sido difícil absorver os atrasos que já vêm do início do ano. Por outro lado, o mau tempo pode ainda provocar mais atrasos nas saídas de porcos das explorações, pois a neve tem deixado intransitáveis muitas estradas francesas. Em todo o caso, o mau tempo pode ter um lado positivo, visto que o frio pode estimular o consumo de alguma carne de porco.

A manterem-se estas condições no mercado e se lhe juntarmos um aumento das compras de carne por parte de Países Terceiros, seguramente que o mercado do porco europeus continuará a ter a calma necessária para ir continuando com as subidas, ainda que estas sejam mais ligeiras do que as já havidas. Veremos o que nos reserva o mês de Março, que também é o mês da Quaresma e da Semana Santa.

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