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Desmamados por porca refugada, o índice escondido

Um dos índices que está mais em voga é o referente aos leitões desmamados por porca refugada (LDPR). Este índice faz referência à quantidade total de leitões que uma porca desmamou ao longo de toda a sua vida produtiva.

O seu cálculo realiza-se com base em duas variáveis: o número médio de partos à data do refugo e a média de desmamados por cada parto.

Este parâmetro tem como finalidade informar sobre qual foi a produção das nossas porcas que ou foram abatidas na exploração, morrem na exploração ou são vendidas para o matadouro seja por que causa fôr. Sem dúvida que todos queremos que a porca que, por um motivo ou outro, abandone a nossa exploração tenha podido, previamente, expressar o seu máximo nível produtivo. O problema é que, por vezes, há outros índices que nos deslumbram, como os desmamados/porca e ano, e que fazem com que o historial produtivo de uma porca ao longo da sua estadia na nossa exploração passe mais despercebido. Mas não devemos esquecer que o termo "amortizar" é tão aplicável às nossas porcas como à nossa própria exploração; e o índice “desmamados por porca de refugo” é um bom indicador com o intuito de aprofundar o conhecimento da amortização das nossas porcas.

Para ilustrar este conceito produtivo, tomamos como exemplo 2 explorações que, à priori, podem parecer bastante similares entre si:

Tabela 1. Principais índices produtivos das explorações A e B. Período: ano 2017.

Exploração A Exploração B
Leitões desmamados/porca e ano 30,3 30,1
Média de leitões desmamados/porca 12,7 12,0
Taxa de partos (%) 88,9 87,9
Índice de partos 2,44 2,57
Duração da lactação (dias) 24,9 20,8
Idade média das fêmeas (partos) 2,5 2,8

Como vemos na tabela 1, ambas as explorações possuem níveis produtivos muito parecidos (desmamados/porca e ano). Se bem que a média de leitões desmamados/porca seja superior na exploração A; a exploração B supre essa carência obtendo um maior índice de partos por causa da menor duração da lactação.
Se a seguir analisarmos como foi a vida produtiva das porcas refugadas em ambas as explorações para o período estipulado, podemos observar pequenas variações, que à posteriori trarão uma grande diferença entre ambas as explorações.

Tabela 2. Principais características das porcas mortas e abatidas nas explorações A e B. Período: ano 2017.

Exploração A Exploração B
Idade média à morte (partos) 2,1 3,0
Média de desmamados/porca morta e parto 11,10 9,62
Média de leitões desmamados/porca morta 23,31 28,86

A principal diferença que se observa entre ambas as explorações é a idade média (média em partos) em que as porcas morrem. A exploração B tem, de média, quase mais um parto que a exploração A. Esta diferença compensa o menor valor da exploração B quanto à média de desmamados/porca e parto e faz com que o valor médio de desmamados/porca morta seja maior na exploração B. E é que devemos ter em conta que cada porca morta na exploração B produziu mais 5,55 leitões que na exploração A tendo por base uma maior vida produtiva.

Tabela 3. Principais características das porcas vendidas nas explorações A e B. Período: ano 2017.

Exploração A Exploração B
Idade média à venda (partos) 4,5 5,1
Média de desmamados/porca vendida e parto 12,07 11,78
Média de leitões desmamados/porca vendida 54,32 60,08

No caso das porcas enviadas para abate, a situação é análoga ao caso anterior. Neste caso, a diferença entre a média de idade das porcas vendidas em ambas as explorações é menor (0,6 partos). Em todo o caso, o aumento na média de desmamados da exploração B faz com que a diferença entre ambas as explorações, relativamente aos leitões desmamados por porca vendida, apresente um valor similar ao das porcas que morreram.

Pois bem, qual seria o comportamento da exploração A se a vida produtiva das suas porcas fosse similar às da exploração B? Ou, o que é o mesmo, como seriam os níveis produtivos com uma maior média de idade ao refugo?:

Tabela 4. Níveis produtivos da exploração A se as porcas tivessem tanta longevidade como na exploração B. Período: ano 2017.

Exploração A (real) Exploração A (com idade ao refugo como a exploração B)
Idade média ao refugo (partos) 4,2 4,9
Média de desmamados/porca de refugo e parto 11,98 11,98
Média de leitões desmamados/porca de refugo 50,32 58,70

Neste cenário, observa-se que as porcas aproveitariam enormemente o seu maior potencial devido a uma vida produtiva mais prolongada (o que implica um maior número de partos acumulados ao refugo) juntamente com uma maior produtividade (referente ao valor médio de desmamados/porca de refugo). Concretamente, a diferença seria de 8,38 leitões por porca de refugo entre um cenário e o outro.

Em definitivo, nem sempre nos devemos deixar levar por certos índices produtivos que eclipsam alguns aspectos da exploração. Se queremos ter um amplo conhecimento das nossas explorações, devemos conhecer alguns índices que costumam estar mais escondidos, mas que, sem dúvida, nos dão uma informação valiosa do comportamento das nossas porcas ou, neste caso, das nossas porcas que foram refugadas.

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