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Detecção de Salmonella spp. em fluídos orais suínos, cobre-sapatos e amostras fecais

Os veterinários muitas vezes perguntam que tipo de amostra é melhor para monitorizar a Salmonella ao nível da exploração.

3ª feira 17 Julho 2018 (há 30 dias)
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A salmonelose em porcos, que geralmente é observada durante a fase de desmame ou engorda, pode resultar numa doença clínica ou estabelecer um estado de portador. Num estado de portador, a Salmonella é eliminada intermitentemente nas fezes, criando um problema de saúde pública que leva à possível contaminação da carne de porco. A detecção precisa e oportuna de Salmonella é vital para iniciar protocolos de tratamento apropriados e estratégias de prevenção.

Os veterinários muitas vezes perguntam que tipo de amostra é melhor para monitorizar a Salmonella ao nível da exploração. As amostras de fluidos orais, actualmente amplamente utilizadas para a detecção de PRRSV e SIV, são rápidas de colher e económicas. Os cobre-sapatos ("pezinhos"), embora sejam fáceis de recolher amostras, não são usados com frequência para a vigilância de agentes patogénicos na indústria suína. As amostras fecais são frequentemente usadas para a detecção de muitos vírus e bactérias em suínos, mas sua colheita requer mais tempo do que os dois tipos de amostras anteriores.

O objectivo deste estudo foi comparar a precisão de amostras de fluido oral e coberturas de sapato com o padrão de amostragem actual, fecal, para a identificação de Salmonella usando porcos experimentalmente inoculados com vários serótipos de Salmonella.

Os porcos com cinco semanas de idade foram infectados experimentalmente com 109 ufc de Salmonella através de sonda oral e esfregaços em amígdalas usando isolados obtidos de amostras clínicas enviadas para o Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Universidade Estatal de Iowa.

Foram infectados 2o porcos com Salmonella Typhimurium e 20 com Salmonella I 4, [5], 12: i: - (2 grupos separados com 5 parques, 4 porcos em cada parque). Foram medidas as temperaturas rectais de todos os porcos diariamente, até 7 dias após a inoculação (PI) e depois de duas em duas semanas durante as 3 semanas restantes. As amostras foram recolhidas nos dias 2, 4, 7, 14, 21 e 28 após a inoculação. Foram colocados os protectores sobre o calçado (cobre-sapatos) colhendo amostras durante o percurso dentro do parque a cada momento estabelecido, com um par de cobre-sapatos por parque e por serótipo infectante. Em cada parque foi pendurada uma corda para recolha de fluídos orais, durante 30-60 minutos. As amostras fecais foram recolhidas por palpação digital rectal dos porcos. Armazenaram-se as amostras a -80 °C desde o momento da recolha e até à quantificação da Salmonella. A quantificação da Salmonella foi completada usando o método de contagem de placa standart em agar Xilosa-Lisina-Tergitol-4 (XLT4). Todas as amostras foram também enriquecidas em água de peptona tamponada durante 18-24 horas e depois plaqueadas em agar Brilliant Green (BG) e agar XLT4. Um sub-conjunto de colónias para cada amostra característica de Salmonella, negro sobre agar XLT4 e vermelho sobre agar BG, foi confirmada como Salmonella usando MAL-DI-TOF-MS.

As temperaturas rectais médias dos porcos alcançaram o seu ponto máximo no segundo dia após a inoculação alcançando os 39,3ºC e voltaram a níveis próximos à temperatura basal no dia 5 PI (38,5 ºC). As quantidades médias de Salmonella nas fezes alcançaram o seu ponto máximo no dia 2 PI (8,04 × 104 ufc/ml) e foram detectáveis nas fezes com o enriquecimento aos 28 dias PI. Nos fluidos orais, as quantidades médias de Salmonella alcançaram o seu ponto máximo no dia 3 PI (5,6 × 102 ufc/ml) e não foi possível detectá-la para além do dia 7 PI. Para os cobre-sapatos, estes mostraram-se apenas esporadicamente positivos durante todo o periodo de teste, com o nível médio mais alto de detecção de Salmonella de apenas 100 ufc/ml no dia 4 PI e apenas foi detectável até ao dia 4 PI. A selecção do tipo de amostra mais apropriado é importante para uma adequada vigilância dos agentes patogénicos. Os cobre-sapatos revelaram-se um tipo de amostra inaceitável para detectar Salmonella, dado que as amostras positivas para Salmonella não reflectiam o nível de doença nem eram consistentemente positivas. Os fluídos orais seriam um tipo de amostra aceitável para a detecção, mas apenas durante a fase aguda de um surto de Salmonella quando os níveis são os mais altos. No caso das amostras de fluidos orais recomenda-se o enriquecimento destas para assegurar que haja um nível adequado de Salmonella para a sua detecção através do cultivo.

Ainda que a recolha de amostras de fezes seja a mais lenta, deve continuar a ser o método standart para a detecção de Salmonella, já que as amostras fecais reflectiram o nivel de doença indicado pelas temperaturas rectais, além de apresentar os níveis mais altos de Salmonella durante um maior periodo pós-infecção.

S. Naberhaus, A. Krull, B. Arruda, P. Arruda, D. Magstadt, F. Matias Ferreyra, Honorato Gatto, H. Meiroz de Souza Almeida, A. Kreuder. Comparison of pathogenic Salmonella spp. detection from porcine oral fluids, over-the-shoe booties, and fecal samples. 49 th Annual Meeting of the American Association of Swine Veterinarians (March 3-6, 2018)

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