Será publicado um comentário de um especialista em suínos cada quinzena |
Jordi Beascoechea i Pina. Bemat Subministraments SL. España 02/10/2008 Etanol - Biodiesel
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Actualmente é politicamente correcto falar de qualquer alternativa que
nos permita depender menos do petróleo e que, além disso reduza as emissões
de CO2. Esta premissa levou a nossa classe política, mundialmente,
a favorecer, mediante isenções de impostos ou facilidades económicas,
a implantação de fabricas de etanol ou biodiesel em todo o mundo,
uns porque acreditam ter excedente de cereais, outros porque acreditam ter excedente
de óleo e todos porque querem depender menos do petróleo. Todo isto originou
que, actualmente, as previsões sobre biocarburantes sejam as seguintes:
| Mandatos
de biocarburantes |
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- UE: 5,75% mistura
no carburante em 2010
- USA: 20% etanol
em 2010
- BRASIL: 5% biodiesel,
25% etanol em 2010
- MALÁSIA/INDONÉSIA:
12 M ton de produção de óleo de palma para biodiesel
- TAILANDIA: 5%
mistura em 2011
- ÍNDIA:
5% mistura biodiesel em 2007
- CHINA: investimento
de 200M$ e 5% mistura em 2010
- etc.
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Como se pode observar, é uma aposta importante, mas tem o seu lado obscuro
no aumento desmesurado do consumo de cereais:
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Fig.
1. Incremento necessário das colheitas para satisfazer a procura
de biocarburantes
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Este ano serão dedicados 40 milhões de ton de cereal ao etanol,
passando de 80 milhões em 2009 a 200 milhões em 2012. Isto em
linguagem clara quer dizer que em 2012 ou já se aumentou muito a produção
de cereais ou o etanol consome todos os stocks de final de campanha, com o que
será alcaçado o stock 0; o que implicaria, mais ou menos, a III
Guerra Mundial.
Como tal, duvido que sejam cumpridos todos os mandatos no tempo previsto, basicamente
porque, ainda que se melhorem as produções e os stocks no final
da campanha não diminuam mais, a mais procura de cereais, maiores preços
e logo, ou aumenta mais o preço do petróleo ou aumentam as ajudas económicas;
senão as fábricas são inviáveis economicamente.
Isto já está a acontecer actualmente, encontramos fábricas
de etanol que estiveram fechadas 4 ou 6 meses e plantas de biodiesel que funcionam
a 50% do seu potencial. Apesar disto, o mais certo é que, tendo em conta
os investimentos realizados e os compromissos adquiridos pela classe política
a médio prazo, a tendência é inequívoca e é por isso,
ainda que não sejam cumpridos a 100% os mandatos previstos, devemos e
deveremos aprender a conviver com isso.
Permitam-me uma reflexão pessoal, não questiono as fontes de energia
alternativas, sempre e quando sejam rentáveis e sobretudo, sejam viáveis.
Quero com isto dizer que entendo a produção de etanol de qualquer
produto que gere açúcar, como a cana de açúcar, a beterraba, etc.
porque a conversão é muito simples e barata. Posso inclusive admitir
a produção de etanol a partir dos cereais (ainda que o processo
seja bastante mais caro já que primeiro temos de converter os amidos
dos mesmos em açúcar e depois em etanol) sempre e quando as plantas de
produção estejam no mesmo lugar que a produção de
cereais. O que me custa entender é a produção de etanol
a partir de cereais em lugares que são deficitários, como por
exemplo a Espanha e o Sul da Europa. Aí não estou absolutamente de acordo,
porque se à energía produzida se subtrai o consumo da mesma até
a colocação dos cereais em fábrica(entenda-se energía gasta
em gerar os cereais mais energía gasta nas deslocações até
aos portos, mais a consumida no transporte marítimo, mais a usada na descarga
e transporte até à fábrica) o saldo de energía gerada,
segundo os cálculos que se fizeram, é de 20 unidades sobre 100. Ou seja,
que para generar 100 unidades de energía gastamos 80. Não sei se não
haverá outra forma de faze-lo, sobretudo se temos em conta que essas mesmas
100 unidades de energía só consomem 20 unidades de energía se criam a partir
da cana de açúcar, com um saldo favorável de 80 unidades. Se se
produzem com base em cereais da mesma zona, o saldo favorável é
de 60 unidades. Todo o dito sobre bioetanol, é aplicável ao biodiesel,
no sentido que a criação de plantas nas zonas onde haja uma produção
importante de óleo, pode ser viável, e não se as plantas
estão nas antípodas das zonas produtoras. Todo isto me faz crer que há
outras fontes de energia como a eólica, a solar (fotovoltaica) e inclusive a
nuclear, seja por fusão ou fissão, com um melhor futuro a longo
prazo, porque entendo que os efeitos secundários que geram são
menores ou pelo menos mais assumíveis por todos nós. E como disse
anteriormente, as energías devem ser rentáveis e viáveis.
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